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Quando continuar é o encontrar uma nova oportunidade.

Nas últimas duas décadas tivemos o privilégio de ver jogadores fazerem percursos de sucesso como amadores e chegarem ao European Tour, e até a ganhar. Jogadores que têm em comum um percurso que teve como base o trabalho dos clubes e da Federação Portuguesa de Golfe. Um trabalho intenso, em rede, colaborativo e que requer um investimento avultado.

Acredito neste trabalho, como acredito que teremos cada vez mais jogadores a percorrer este caminho com sucesso. É um trabalho que não tem uma fórmula exacta e exige uma capacidade de adaptação muito grande por parte daqueles que nele estão envolvidos.

Ontem recebi uma carta do Pedro Lencart a formalizar a sua intenção de começar a voar alto – passar a atleta profissional de golfe. Ao ler esta carta, como as de outros atletas antes do Pedro, vêm-me à cabeça as muitas memorias dos momentos que passámos juntos, das alegrias e das frustrações, das vitorias e das derrotas, bem como nos assola um sentimento de nostalgia, ultrapassado pela esperança de os ver singrar na alta roda.

O Pedro teve uma das mais brilhantes carreiras amadoras que Portugal viu. Começou a jogar aos 8 anos de idade, tendo-se sagrado quatro vezes Campeão Nacional de Jovens em vários escalões, vencendo ainda o Campeonato Nacional Absoluto por três vezes.

Aos 15 anos obtem a sua primeira vitória internacional no Finnish International Junior Championship (U16) e, um ano depois, vence o Junior Open – a versão Junior do The Open Championship.

Pedro Lencart participou, em representação da Selecção Nacional, em largas dezenas de competições pelo mundo fora, havendo a destacar os quatro Campeonatos da Europa de Equipas de Rapazes (U18), quatro Campeonatos da Europa de Equipas de Homens e dois Campeonatos do Mundo.

Em 2017 é convocado para representar a equipa da Europa Continental no Jacques Léglise Trophy, onde tem um desempenho fundamental na vitoria da sua equipa.

Mas o ponto alto da sua carreira amadora vem com a vitoria do The Boys Amateur Championship, juntando o seu nome ao de Pedro Figueiredo, naquela que é a mais importante competição de Sub 18 do planeta e uma das principais competições organizadas pelo R&A.

Mas enganem-se aqueles que pensam que este caminho foi um mar de rosas. Não foi para o Pedro, como não o foi, nem será, para qualquer atleta que queira estar na alta roda internacional, sendo poucos aqueles que conseguem atingir esse patamar. Exige trabalho, dedicação e sacrifício por parte dos atletas, clubes, treinadores e famílias, sem excepção.

É o momento para o Pedro começar a voar mais alto. Ele tem umas boas e musculadas asas para o fazer, pelo que nos resta desejar-lhe os maiores sucessos e reiterar o apoio incondicional da Federação Portuguesa de Golfe nesta nova etapa da sua vida.

Lisboa, 14 de Julho de 2021

Miguel Franco de Sousa

Presidente da Federação Portuguesa de Golfe