Skip to main content
A reutilização de água como eixo estratégico para a resiliência hídrica no Golfe

A reutilização de água como eixo estratégico para a resiliência hídrica no Golfe

|

No dia 5 de novembro de 2025, a Federação Portuguesa de Golfe (FPG) reuniu especialistas e representantes do setor para uma ação de sensibilização dedicada à Água para Reutilização (ApR). A sessão, conduzida pela ERSAR – Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos, através de Margarida Monte, Alexandra Cunha e Ana Rita Ramos, procurou lançar luz sobre um tema que se tornou central num país cada vez mais desafiado pela escassez hídrica.

Ao longo da apresentação – disponível aqui – foram traçadas as linhas essenciais de um cenário marcado por secas recorrentes e impactos particularmente severos no Algarve. Neste contexto, destacou-se a urgência de diversificar fontes de água e de adotar soluções que se inscrevem na lógica da economia circular. A reutilização de águas residuais tratadas surge, assim, não como alternativa marginal, mas como pilar estratégico para reduzir a pressão sobre as captações superficiais e subterrâneas.

O enquadramento legal, assente no Decreto-Lei n.º 119/2019 e na estratégia PENSAAR 2030, define metas ambiciosas: reutilizar 20% das águas residuais tratadas até 2030. A percentagem atual – 0,9% – expõe a distância a percorrer e reforça a necessidade de acelerar projetos de ApR, sobretudo nas regiões mais vulneráveis, destacadas pela estratégia “Água que Une”.

A sessão explorou também os múltiplos usos possíveis da ApR, desde a agricultura à indústria, passando pela construção civil, lavagem urbana, combate a incêndios e, naturalmente, rega de campos de golfe, para a qual a legislação estabelece a classe B de qualidade. A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) define os requisitos finais mediante avaliação de risco, podendo ser necessário recorrer a processos de tratamento adicionais.

Foram igualmente abordados os procedimentos aplicáveis: enquanto os produtores precisam de licença própria, os utilizadores – como os campos de golfe – apenas necessitam de comunicação prévia à APA. Requisitos como sinalética adequada e tubagens púrpura (RAL 4001) são obrigatórios, sendo crucial avaliar parâmetros como salinidade, cloro residual e nutrientes. No plano económico, a ERSAR recomenda uma tarifa variável única, m função do volume entregue, garantindo transparência e sustentabilidade financeira.

A concluir, foram apresentados exemplos inspiradores já em operação, como o West Cliffs Ocean & Golf Resort, o Castro Marim Golfe e o Carvoeiro Golfe, que demonstram benefícios tangíveis: menor pressão sobre captações e redução do consumo de fertilizantes. Contudo, persistem obstáculos relevantes, desde a morosidade administrativa aos problemas de salinidade em algumas ETARs costeiras.

Este encontro reafirmou que a reutilização de água é mais do que uma oportunidade: é um caminho indispensável para assegurar o futuro hídrico do golfe em Portugal.

Principais desafios identificados
• Burocracia e morosidade nos processos de licenciamento e aprovação.
• Baixa taxa atual de reutilização (0,9%), distante da meta de 20% para 2030.
• Salinidade excessiva em algumas ETARs costeiras.
• Necessidade de recursos humanos especializados para operação e manutenção dos sistemas de ApR.
• Garantia de qualidade compatível com a manutenção dos relvados desportivos.

Gabinete de Imprensa da Federação Portuguesa de Golfe

Miraflores, 10 de Novembro de 2025

Fotografia © Federação Portuguesa de Golfe

A Federação Portuguesa de Golfe é uma pessoa coletiva de direito privado e de utilidade pública, fundada em 20 de Outubro de 1949, constituída sob a forma associativa e sem fins lucrativos.

Morada

Rua Santa Teresa do Menino Jesus Nº6, 17º andar Miraflores 1495-048 Algés Portugal

Email
Telefone Sede

(chamada p/ a rede fixa nacional)

Redes Sociais

© 2025 Federação Portuguesa de Golfe. Todos os direitos reservados