Notícias

Tomás Silva sobe à 3.ª divisão europeia

Tomás Silva foi 15.º classificado (empatado) entre 145 participantes no torneio realizado em dois dos três campos espanhóis do La Cala Resort em Mijas, na Andaluzia: o America Course e o Asia Course.

O campeão nacional somou 213 pancadas, 2 abaixo do Par, após voltas de 73, 69 e 71, não recebendo qualquer prémio monetário, reservado ao top-10.

«Eram dois campos com muitos ‘slopes’ (desníveis) e por isso a nossa tarefa complicou-se um bocado. Houve muita chuva e muito vento nos primeiros buracos, depois parou de chover mas o vento continuou», contou à Tee Times Golf, em exclusivo para Record.

Já se viu que as condições não foram fáceis, mas o profissional do Club de Golf do Estoril logrou ainda assim carimbar 14 birdies e 1 eagle e 54 buracos, mostrando alguma agressividade que também custou-lhe 6 bogeys e 4 duplos-bogeys.

«Bati bem na bola e criei algumas oportunidades nos primeiros 14 buracos. Tive algumas dificuldades em acertar com a velocidade dos greens e deixei-me por vezes com um segundo putt mais comprido. E depois tive uma reta final complicada. Uma sequência de maus shots para os lados errados. Mas tanto o segundo como o terceiro dia foram muito semelhantes. Estive bem com as madeiras e coloquei-me sempre em boas posições para atacar as bandeiras e embora tenha feito 10 birdies e 1 eagle nos últimos dois dias, a verdade é que o pitching não esteve a altura e acabei por perder algumas pancadas nesta área. Mas no cômputo geral fico satisfeito com a qualificação, que era o grande objetivo» analisou o jogador do Team Portugal que fica agora com várias opções.

Com efeito, por pertencer ao Team Portugal, um projeto conjunto da PGA de Portugal e da Federação Portuguesa de Golfe, irá receber alguns convites para jogar no Challenge Tour (a segunda divisão europeia) em 2019, mas não serão o suficiente para preencher uma época inteira e o Alps Tour preencherá essas lacunas.

«Decidi jogar esta Final da Escola de Qualificação porque quero ter mais oportunidades para conseguir encontrar o meu lugar no Challenge Tour (o top-5 do Alps Tour no final do ano passa ao Challenge Tour). O plano para 2019 será conciliar os dois circuitos (Alps Tour e Challenge Tour), como, aliás, é cada vez mais comum entre os jogadores que não têm nenhuma categoria para o Challenge Tour», explicou Tomás Silva.

Depois de um ano de 2018 menos efusivo em termos de resultados do que o de 2017, que tinha sido a sua primeira época como profissional, Tomás Silva chegou ao final do ano em melhor forma, fruto de um processo em que trocou de treinador e fez profundas alterações técnicas. A vitória no Solverde Campeonato Nacional PGA motivou-o e levou-o a acreditar que estava no caminho certo e agora este bom 15.º lugar na Escola do Alps Tour foi uma confirmação de que o melhor poderá ainda estar para vir.

Nas redes sociais, o jogador da Nike escreveu para os seus fãs: «Termina assim a época 2018. Foi um ano difícil, com muitas coisas boas mas algumas más também. Agora é altura de dedicar algum tempo ao ginásio e ao driving range para trabalhar nas coisas menos boas e continuar a trabalhar para atingir os meus objetivos».

Objetivos parciais foram também alcançados pelos outros portugueses que estiveram nesta Final. Miguel Gaspar e Vítor Lopes passaram o cut reservado aos 65 primeiros e empatados e com isso asseguraram a Categoria 8, que poderá impedi-los de participar em alguns torneios, mas deverá ter entrada na maioria dos eventos.

Miguel Gaspar foi 39.º (empatado) com 219 pancadas, 4 acima do Par, após voltas de 76, 70 e 73, enquanto Vítor Lopes foi 46.º (empatado) com 220 (76+73+71), +5.

Para Vítor Lopes que só se tornou profissional há dois meses é a progressão natural de um jogador que atingiu o pico como amador em fevereiro ao vencer o Campeonato Internacional Amador de Portugal e que já conquistou esta época títulos profissionais. A sua carreira mantém o sentido ascendente.

A situação de Miguel Gaspar é diametralmente oposta. Foi um dos melhores amadores portugueses da sua geração (a de Ricardo Melo Gouveia e Pedro Figueiredo) mas com o passar dos anos foi-se “perdendo” como profissional, sem nunca desistir.

Em 2018 Miguel Gaspar renasceu das cinzas, ganhou o seu primeiro título profissional na Ilha Terceira, foi vice-campeão num torneio internacional e muito deve-se à decisão de em finais de abril começar a trabalhar com Sebastião Gil, o antigo selecionador nacional, implicando uma mudança de residência para o Algarve, passando a treinar na Quinta da Ria.

Numa mensagem nas redes sociais muito bem escrita e carregada de sentimento, Miguel Gaspar não se esqueceu do “coach” que tanto tem dado ao golfe nacional ao longo da sua carreira: «Sebastião Gil! O meu treinador que eu não tenho palavras para agradecer. É quando se precisa que se vê quem nos quer bem e o Gil deu-me a mão quando eu não tinha nada e voltou-me a dar asas para a realização do objetivo! Se eu for tão bom aluno como o Gil é treinador, em breve o Figgy e o Melinho terão de me aturar!».

Fora do cut na Final da Escola do Alps Tour ficaram Tomás Bessa e Tiago Rodrigues, ainda assim com algumas hipóteses de disputar os torneios menos importantes do Alps Tour em 2019, sob a Categoria-9.

Tomás Bessa foi 80.º (empatado) com 151 (80+71), +8, sendo de destacar a sua boa segunda volta, enquanto Tiago Rodrigues contentou-se com o 128.º posto (empatado) com 159 (80+79), +16.

«Esta ida à Final assegura-me a Categoria 9 no Alps Golf Tour, o que já dá para jogar alguns torneios», tinha-nos dito Tomás Bessa no dia em que se apurou para esta final.

«A (minha) prioridade será (jogar) no Pro Golf Tour (em 2019) por duas razoes: no ano passado já joguei nesse tour, já conheço os campos, sei para onde viajar, onde ficar alojado, o que ajuda-me a planear uma época. Para além disso tenho uma categoria melhor no Pro Golf Tour, que garante-me lugar em todos os torneios. No Alps Tour estou a planear encaixar alguns torneios os que não coincidam com o Pro Golf Tour e de preferência os que são em Espanha aqui ao lado», elucidou Tiago Rodrigues.

O profissional do Oporto Golf Club está, efetivamente, melhor cotado no Pro Golf Tour, outra das terceiras divisões europeias, mais baseado nos países germânicos, exatamente o circuito que foi usado por Pedro Figueiredo em 2017 para subir ao Challenge Tour em 2018.

A final da Escola de Qualificação do Alps Tour foi ganha pelo espanhol Angel Hidalgo Portillo, que tornou-se profissional há um mês, mas que, de acordo com o press officer do Alps Tour, «soube tirar partido do conhecimento dos campos, pois vive nas redondezas, em Marbelha».

O jogador de 20 anos totalizou 201 pancadas, 14 abaixo do Par, entregando cartões de 69, 67 e 65, que lhe renderam um prémio de 800 euros.

«Agora vou viajar para jogar a Final da Escola de Qualificação do Asian Tour. De acordo com os resultados que lá obtiver, decidirei se jogo ambos os circuitos no próximo ano», declarou Angel Hidalgo Portillo.

Encerrou, assim, a época de 2018 do Alps Tour que, pela primeira vez, passou por Portugal, no Guardian Bom Sucesso Golf, onde disputou-se o Obidos International Open, de 30 mil euros em prémios, organizado pela PGA de Portugal e apoiado pela Federação Portuguesa de Golfe.

O torneio português foi um sucesso e o seu vencedor, o espanhol David Bordá aproveitou o ímpeto para depois ganhar a Grande Final do circuito (equivalente ao Tour Championship). Com isso deveria jogar para o ano no Challenge Tour, mas nem será necessário pois foi bem-sucedido na Final da Escola do European Tour e em 2019 já andará a fazer companhia a Ricardo Melo Gouveia e Pedro Figueiredo na primeira divisão europeia.

Entretanto, José Correia, presidente da PGA de Portugal, disse-nos que ainda nada foi decidido sobre a eventualidade de haver de novo um torneio do Alps Tour em Portugal em 2019. «Não é uma prioridade, mas não é impossível».

Por Hugo Ribeiro

Lisboa, 17 de Dezembro de 2018