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Tomás Silva começa a carburar

Se no Dreamland Pyramids Open da semana passada Tomás Bessa e Miguel Gaspar passaram o cut, no New Giza Open que se concluiu nesta segunda-feira foram exatamente esses os jogadores a ficarem pelo caminho após a segunda volta, enquanto Tomás Silva e Vítor Lopes brilharam mais forte.

Tomás Silva voltou a ser o melhor português no Alps Tour Golf e o único a arrancar dois top-10 na presente temporada.

«Fico satisfeito por ver que o meu jogo está melhor, mais sólido e que sou capaz de lutar por um lugar no topo da tabela», declarou à Tee Times Golf, em exclusivo para Record.

O campeão nacional igualou mesmo a sua melhor classificação de sempre em torneios do Alps Tour Golf, um 8.º lugar, graças a uma regularidade impressionante de três voltas em 70 pancadas, para um total de 210, 6 abaixo do Par do New Giza Golf Club.

Tomás Silva, que já tinha sido 8.º no Obidos International Open do ano passado e 9º no Red Sea Little Venice em fevereiro último, empatou agora no Cairo com mais sete jogadores, razão pelo qual o prémio que embolsou resumiu-se a 1.072 euros.

O mais importante, porém, foi ter levantado a cabeça, depois de ter perdido alguma confiança nos seus dois últimos torneios, o The Tour Championship do Portugal Pro Golf Tour (no qual começou muito bem e acabou mal) e o tal Dreamland Pyramids Open em que nem sequer passou o cut.

O profissional do Club de Golf do Estoril explicou que ter falhado esse cut teve causas muito particulares: «Foi um torneio algo atípico. Acabei por falhar o cut por 2 pancadas porque perdi a cabeça no primeiro dia. Tive pouca sorte na formação e joguei com dois jogadores muitíssimo lentos. Ainda batalhei mas nos últimos buracos foi impossível e acabei por perder 4 pancadas. No segundo dia tivemos um árbitro a acompanhar a nossa formação desde o buraco 3 até ao buraco 16 e conseguimos estar no ritmo de jogo correto e consegui entrar na minha “bolha”, mas foi insuficiente».

Consciente de que era preciso reagir melhor mentalmente neste New Giza Open, o jogador do Team Portugal teve um postura bem diferente: «Neste segundo torneio, senti-me bem no geral. Estive muito sólido e os (únicos) 4 bogeys que fiz (em três voltas) comprovam isso mesmo. Hoje fiz um bogey a 3 putts no 10 (tinha um putt com 20 metros) e fiz um bogey no 17 disparatado. Coloquei-me várias vezes perto da bandeira durante o torneio mas muitas delas dos lados errados das bandeiras e tornava-se complicado meter o putt».

Este 8.º lugar, para o qual contribuíram 10 birdies em três voltas, é ainda mais notável por o campo egípcio não se adequar às características do português de 26 anos: «É um campo que beneficia os jogadores que batem longe, por terem vantagem clara nos buracos de Par-5. Penso que nunca consegui chegar em 2 pancadas ao green nos Par-5. Mas tem um lay-out fantástico, permite que a bola seja trabalhada do tee e tem greens enormes e ondulados. Não tivemos sorte com o tempo, apanhámos muito vento. Ventos de 30/40km/h com rajadas perto dos 50km/h nos três dias de jogo».

Mesmo assim, Tomás Silva jogou os 12 buracos de Par-5 em 3 abaixo do Par ao cabo das três voltas.

Já o outro português que passou o cut, Vítor Lopes, tem bastante mais distância na sua pancada de saída e, de facto, conseguiu cumprir os mesmos 12 buracos de Par-5 em 5 abaixo do Par.

O profissional do Club de Golfe de Vilamoura, que se vinha queixando do seu jogo de chipping, esteve mais acertado neste torneio e até efetuou uma boa segunda volta de 67 (-5), ficando a apenas 2 pancadas do recorde do campo.

Contudo, as 72 pancadas da primeira volta e, sobretudo, as 75 da última ronda, não lhe permitiram melhor do que empatar no 18.º lugar com outros nove jogadores, com um agregado de 214 (-2), recebendo cada um 622 euros.

Na Ordem de Mérito do Alps Tour Golf Tomás Silva subiu de 27.º para 17ª, passando a ser o melhor português. Mesmo assim, longe do top-5 que no final do ano ascende ao Challenge Tour, a segunda divisão europeia.

Vítor Lopes, graças ao seu segundo top-20 da temporada, melhorou no ranking de 50.º para 42.º.

Em contrapartida, falhar o cut custou a Miguel Gaspar e a Tomás Bessa. Gaspar era 23.º e tombou para 30.º, enquanto Bessa era 37.º e caiu para 48.º.

Neste New Giza Open só 50 de um total de 130 jogadores passaram o cut, a Par do campo. Ora Miguel Gaspar falhou o seu primeiro cut no ano neste circuito e foi 67.º (empatado) com 147 pancadas, +3 acima do Par, após voltas de 75 e 72, ao passo que Tomás Bessa foi 75.º (empatado) com 148 (76+72), +4.

O New Giza Open foi ganho pelo italiano Lorenzo Scalise, que há quatro meses ainda era amador e conquistou assim o seu primeiro título profissional aos 23 anos.

O transalpino passou a Escola de Qualificação deste circuito em dezembro e no Cairo foi superior com cartões de 68, 66 e 70, para triunfar com um total de 204 (-12), superando por apenas 1 pancada o espanhol Xavi Puig Giner (70+70+65) e o holandês Lars Keunen (70+65+70).

Note-se que os dois jogadores que empataram no 2.º lugar fizeram duas voltas de 70 como Tomás Silva, mas depois descolaram com aquelas voltas de 65 que igualaram o recorde do campo.

Lorenzo Scalise embolsou 5.800 euros de prémio e apoderou-se do posto de n.1 da Ordem de Mérito do Alps Tour Golf.

«A última vez que tinha ganho um torneio tinha sido como amador, em 2017, no circuito universitário norte-americano. Ser capaz de mostrar-me forte logo no início da minha carreira profissional deixa-me muito feliz», disse o italiano.

O próximo torneio do Alps Tour Golf começa já em três dias e será o último desta Winter Series. Trata-se do Katameya Dunes Open, de novo no Cairo e também com um “prize Money” de 40 mil euros.

Por Hugo Ribeiro (Tee Times Golf/Record)

Lisboa, 1 de abril de 2019