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Tomás Bessa é vice-campeão desarmado

«A face do meu driver partiu-se enquanto eu treinava, depois de concluir a segunda volta, para a eventualidade de ir a play-off. Obviamente prejudicou-me, uma vez que o play-off foi jogado em dois buracos de Par-5. Não pude usar a minha “maior arma” em dois buracos em que costumo tirar clara vantagem da distância… mas faz parte, os azares acontecem. De qualquer maneira o Paul mereceu ganhar, pois foi mais consistente do que eu», disse, resignado, Tomás Bessa à Tee Times Golf, em exclusivo para Record.

O profissional de Paredes está a ser simpático na sua avaliação, pois aquilo foi mesmo um handicap. Durante as duas voltas regulamentares deste torneio de 10 mil euros em prémios monetários ele fez 1 birdie no buraco 17 e 2 birdies no 18. Ora foi exatamente nesses dois buracos que se jogou alternadamente o play-off e é evidente que sair de madeira-3 não foi o mesmo e diminuiu logo as suas hipóteses.

Tomás Bessa adora jogar no Penina Hotel & Golf Resort, em Portimão. Ganhou ali o seu primeiro troféu a nível nacional num torneio do PGA Portugal Tour no ano passado e há uma semana arrebatou o 2.º Penina Classic.

Por isso, não baixou os braços quando no final do primeiro dia deste 3.º Penina Classic se viu no 6.º lugar (empatado), com 70 pancadas, 3 abaixo do Par do Sir Henry Cotton Championship Course, a 3 pancadas do líder, o galês Richard Bentham.

«Acreditava que era possível lutar pela vitória. Mas tal como eu, havia bastantes jogadores com hipóteses de surpreender. Muita coisa poderia ainda acontecer, de modo que foquei-me apenas em dar o meu melhor. Criei boas oportunidades para birdie, fiz dois “up and downs” em alturas importantes do jogo o que também me manteve motivado. Fui feliz e consegui fazer uma volta muito boa», disse, depois de uma excelente segunda volta em 66 (-7), o melhor cartão do torneio.

«A partir do buraco 15 soube que ia a liderar por 1 pancada, ia com um agregado de 9 abaixo do Par, mas o último grupo ainda estava no buraco 13, por isso, ainda faltava muito jogo», acrescentou.

De facto, ao sofrer 1 bogey no buraco 16, onde já tinha perdido 1 pancada na véspera, Tomás Bessa abriu as portas à concorrência porque Paul McBride aproveitou para fazer birdies no 15 e no 17.

A situação ficou mais difícil para o português mas acabou a segunda volta em grande com dois birdies e como o irlandês só conseguiu igualar o Par no 18, ficaram empatados e foi necessário ir ao tal play-off.

«O play-off foi jogado sucessivamente nos buracos 17, 18, 17, 18, em formato de “sudden death play-off”. Tanto eu como o Paul tivemos chances de ganhar antes, mas ambos falhámos putts curtos, talvez devido a algum nervosismo mas também à falta de luz. No quarto buraco de play-off, no 18, tentámos ambos ir para o green à segunda pancada, mas falhámos os dois para o bunker à direita. Como a bandeira estava posicionada no final do green, perto da margem direita do green, dificultava imenso o approach. Mesmo assim, eu dei um shot muito bom e deixei a bola a 1,5 metros a descer. O Paul deu um shot ainda melhor e deixou a bola a pouco mais de um pé. Infelizmente falhei o putt e ele claro, meteu o dele para a vitória», narrou Tomás Bessa, que embolsou 1300 euros de prémio.

O irlandês Paul McBride, de 23 anos, conquistou, assim, o seu primeiro título desde que passou a profissional em junho do ano passado, com um total de 136 pancadas, 10 abaixo do Par, após voltas de 68 e 67, recebendo um prémio de dois mil euros.

McBride já vinha ameaçando uma vitória, pois neste 3.º Swing que agora terminou, fora 4.º classificado no 2.º Penina Classic, 3.º (empatado com Tomás Melo Gouveia) no 3.º Palmares Classic, e agora vencedor. Impediu, assim, que este 3.º Swing fosse composto apenas por triunfos portugueses, dado que depois de Tomás Bessa no 2.º Penina Classic, tinha sido Miguel Gaspar a impor-se no 3.º Palmares Classic.

Trata-se de um jogador que já é falado há muito, pois chegou a ser top-50 do ranking mundial amador, foi vice-campeão europeu amador em 2017 e semifinalista no The Amateur Championship (um Major amador) de 2016. Representou a Wake Forest University, na Carolina do Norte, onde alcançou vários top-10 em provas do circuito universitário americano. É por isso que a sua recente carreira profissional é gerida pela Hambric Sports, empresa que em Portugal lidera os destinos de Pedro Figueiredo e Ricardo Melo Gouveia.

Entretanto, Tomás Bessa decidiu «jogar ainda mais um torneio do Portugal Pro Golf Tour», o 4.º Palmares Classic que inaugura o 4.º Swing deste circuito internacional, sancionado pela PGA de Portugal, Federação Portuguesa de Golfe e pelo britânico Jamega Pro Golf Tour.

«Só depois volto ao Porto e fico por lá a treinar até ao final de janeiro. Volto a competir no Portugal Pro Golf Tour em fevereiro e dia 16 vou para o Egito» para a primeira prova do Alps Tour, uma das terceiras divisões do golfe europeu, onde irá competir em 2019.

O 3.º Penina Classic contou com 60 participantes, oito dos quais portugueses, que obtiveram as seguintes classificações e resultados:

2.º Tomás Bessa, 136 pancadas (70+66), 10 abaixo do Par, €1.300

16.º (empatado) Gonçalo Pinto, 145 (71+74), -1

24.º (empatado) João Carlota, 148 (74+74), +2

24.º (empatado) Miguel Gaspar, 148 (71+77), +2

30.º (empatado) João Ramos, 149 (73+76), +3

39.º (empatado) Pedro Almeida, 153 (72+81), +7

42.º Alexandre Abreu, 155 (81+74), +9

53.º Mickael Carvalho, 163 (79+84), +17

Por Hugo Ribeiro

Lisboa, 17 de janeiro de 2019