Notícias

Susana Ribeiro com experiência única no Open de Espanha

Um convite da Real Federação Espanhola de Golfe, graças à insistência de Manuel Agrellos, ex-presidente da Federação Portuguesa de Golfe, deu uma oportunidade única a Susana Ribeiro que este ano militou no LETAS (Ladies European Tour Access Series, a segunda divisão europeia) e no Santander Golf Tour (circuito profissional espanhol).

«Foi o torneio mais importante que alguma vez joguei e com um ‘field’ (lista de inscritas) tão forte», referiu à Tee Times Golf, em exclusivo para Record, admitindo, por isso, ter entrado em jogo «algo nervosa e um pouco ansiosa, não estando habituada a jogar tanto e sob alguma pressão».

Se olharmos apenas para os resultados, a vice-campeã nacional juntou voltas de 77 e 73 pancadas, para um total de 150, 8 acima do Par do La Quinta Golf Resort & Spa, nos arredores de Marbelha. Terminou no grupo das 73.ª classificadas, entre 96 jogadoras, e falhou o cut por 3 pancadas.

Estes são os dados objetivos, mas há outra história por contar, pois se não tivesse comprometido tudo com um início horrível, teria jogado os quatro dias de prova e não apenas dois.

É certo que jogou os primeiros seis buracos em 5 acima do Par, mas depois, resolveu os últimos 30 buracos em 3 acima do Par, resultado que teria dado perfeitamente para passar o cut.

«Não conhecia o campo, foi a primeira vez que joguei nesta zona em Espanha, e não tive muita sorte com o tempo no primeiro dia, pois tinha chovido bastante no fim de semana antes e o campo estava muito pesado e empapado. No primeiro dia joguei à tarde e foi o pior tempo possível. Ao fim de seis buracos chovia tanto que já nem os greens aguentavam e tiveram de suspender a prova», explicou.

No golfe é assim, a sorte também conta e, neste caso, quem saiu de manhã foi beneficiado em relação a quem saiu à tarde como a portuguesa. A Organização percebeu que a dada altura tinha mesmo de adiar a conclusão da primeira ronda para o dia seguinte mas o estrago estava feito na prova da ex-tricampeã nacional.

«Entrei mal, a falhar muitos shots ao green e depois não conseguia recuperar no chip e putt. Para ser sincera, as coisas não correram como eu queria», disse Susana Ribeiro.

No dia seguinte sabia que iria ter uma maratona pela frente, física e mental, pois seria preciso jogar 30 buracos e com um campo pesado e longo, mas, felizmente, com melhores condições meteorológicas. E aí o bom jogo da portuense veio ao de cima, conseguindo, apesar de tudo, 4 birdies, insuficientes para recuperar do atraso comprometedor da véspera.

«Sabia que tinha de recuperar das 5 acima do Par que levava e que jogar apenas a Par do campo poderia não chegar. Sabia que tinha de atacar as bandeiras, mas o campo pesado ficava mais comprido e não ajudava a colocar a bola perto das bandeiras. Havia quatro buracos de Par-4 em que tinha de jogar madeira-5 para o green, o que não é nada fácil para colocar a bola perto da bandeira», elucidou.

Não se julgue foi só a inexperiente jogadora portuguesa a sentir estas condições. A própria campeã do torneio, a holandesa Anne Van Dam, que conquistou o seu terceiro título do LET, referiu hoje o mesmo: «O tempo esteve traiçoeiro toda a semana e estava difícil fazer aproximações ao green, sobretudo tendo em conta a quantidade de spin que eu coloco na bola».

Daí que Susana Ribeiro tenha a sensação ambivalente de perceber que poderia ter passado o cut não fosse aquele início caótico, mas que, por outro lado, poderá um dia sonhar em competir nesta primeira divisão europeia.

«Foi uma muito boa experiência ter estado ao lado das melhores e acreditar que consigo estar àquele nível como mostrei no segundo dia. Pena aqueles primeiros seis buracos do primeiro dia, mas fiquei contente com o meu jogo no segundo dia, nos tais 30 buracos. Joguei solidamente, apesar de três greens a 3-putts que ficaram-me um pouco entalados. Não chegou para passar o cut mas dá-me alguma confiança para a Escola de Qualificação», referiu.

Esse é o seu próximo desafio. De 7 a 10 de dezembro irá disputar a Pré-Qualificação da Escola de Qualificação do Ladies European Tour, no Amelkis Golf Club, em Marrocos. E se tudo correr bem, apurar-se-á para a Final da Escola, de 16 a 20 de dezembro, no mesmo campo de Marraquexe, onde já garantiu um lugar outra portuguesa – Leonor Bessa.

As duas portuguesas tentarão na Escola de Qualificação subir em 2019 ao Ladies European Tour, circuito cuja temporada de 2018 terminou exatamente hoje com o Open de Espanha.

Anne Van Dam precisou de 3 birdies nos últimos cinco buracos para triunfar com um agregado de 271 pancadas, 13 abaixo do Par, após voltas de 68, 67, 66 e 70, para embolsar 45 mil euros e ascender ao 2.º lugar na Ordem de Mérito final do ano.

Bateu por 3 pancadas a espanhola Azahara Muñoz (68+68+69+69) que procurava o “tri” depois dos êxitos de 2016 e 2017 neste Open de Espanha.

A holandesa de apenas 23 anos foi a única jogadora a vencer dois torneios na temporada que agora terminou, pois já se tinha imposto antes no Estrella Damm Mediterranean Ladies Open, também em Espanha.

Já a Ordem de Mérito do LET foi ganha pelo segundo ano seguido pela inglesa Georgia Hall, a campeã do British Open, um dos Majors do golfe feminino. Hall, de apenas 22 anos, é a n.º8 do ranking mundial e tornou-se na mais jovem de sempre a sagrar-se n.º1 europeia em duas épocas consecutivas.
Por Hugo Ribeiro

Lisboa, 25 de novembro de 2018