Notícias

Santander Golf Tour Madrid – Leonor Bessa encerra melhor época como profissional

No Golf Santander, nos arredores da capital espanhola, Leonor Bessa somou 153 pancadas, 9 acima do Par, após voltas de 77 e 76, ficando empatada com as espanholas Natasha Fear e Laura Gómez. Uma classificação que não deu-lhe direito nem a prémio monetário nem a pontos para o ranking do circuito espanhol.

«O meu jogo esteve bem. Parece estranho, dado que fiz um agregado de +9, mas foram os duplos-bogey que ditaram o resultado. Cometi alguns erros pelos quais fui muito penalizada e tive algum azar, mas acontece. No entanto, sinto que o meu jogo, em algumas partes, esteve muito forte e até fui capaz de reagir bem aos maus períodos e isso é muito importante na vida como profissional», disse a jogadora da Nike à Tee Times Golf em exclusivo para Record.

Com efeito, Leonor Bessa até carimbou 4 birdies na segunda volta (terminou com 1 birdie no último buraco do torneio) e tinha averbado 3 birdies na primeira ronda, mas sofreu 3 duplos-bogey seguidos nos três últimos buracos da primeira volta e cedeu mais 2 duplos no segundo dia.

O Golf de Santander não é um campo fácil. O desenho de Rees Jones e do saudoso Seve Ballesteros (genro do também já falecido Emílio Botín, ex-presidente do Grupo Santander) é dos mais exclusivos de Espanha. Nem todos podem lá jogar, é preciso reservar e a chamada Cuidad de Santander tem uma segurança digna de um Estado dentro do Estado espanhol.

Por fugir à habitual saturação dos clubes de golfe de Madrid, o campo apresenta-se sempre quase imaculado e Leonor Bessa, que visitou-o pela primeira vez, não poderia ter ficado mais impressionada: «Está em condições excecionais e o desenho do campo é espetacular. É bastante comprido e, basicamente, difícil do tee ao green, principalmente o shot ao green, bem como a velocidade e a ondulação dos greens. Os fairways tinham alguns bunkers difíceis e, por isso, não podia dar mais nas saídas. Os greens são pequenos e muito protegidos por bunkers de forma estratégica. Adorei mesmo o campo porque adoro bons desafios».

Não admira que só sete das 50 participantes tenham terminado a prova abaixo do Par, apesar de estarem presentes jogadoras como a finlandesa Tiia Koivisto, que na semana passada encerrou o Ladies European Tour Access Series na primeira posição do ranking de 2020, ascendendo ao Ladies European Tour (a primeira divisão europeia) em 2021; e as espanholas Mireia Pratt (antiga n.º1 do LETAS) e Maria Parra (ex-jogadora do LPGA Tour, a primeira divisão norte-americana).

O que espantou não foram, por isso, os resultados, mas o sucesso de duas amadoras espanholas que dominaram o torneio e tornaram-no num duelo entre ambas.

Carolina López-Chacarra liderou aos 18 buracos e sagrou-se vice-campeã com 136 (67+69), 9 abaixo do Par. Só foi batida por 1 pancada por Ana Peláez (69+66), que necessitou de 1 birdie no 18 para conquistar o seu primeiro título em torneios profissionais e a sua segunda vitória da época, depois da Copa Andalucía.

A amadora de Málaga está a atravessar a sua melhor fase de sempre. Em 2020 concluiu a sua passagem de quatro anos pela equipa dos Gamecocks USC (Universidade da Carolina do Sul), onde ganhou um torneio e foi vice-campeã noutro; mas a nível individual sagrou-se ainda vice-campeã do Campeonato Internacional Amador da Andaluzia, vice-campeã nacional amadora de Espanha e foi 13.ª no Europeu Individual Amador, razão pela qual é a 77.ª no ranking mundial amador e 13.ª no ranking europeu amador.

«A lista de inscritos era muito boa como habitualmente e acho que o facto de algumas amadoras terem sobressaído pode ter sido um acaso, porque as jogadoras profissionais mencionadas não deixam de ser grandes jogadoras, mas nós jogamos a dinheiro, as amadoras não, e isso pode ter transparecido, dada a dificuldade e o risco de alguns shots neste campo. Agora, conheço as amadoras há algum tempo e são todas de muito bom nível», afiançou Leonor Bessa, ela própria uma amadora de elite antes de passar a profissional em 2018.

Nos últimos dois torneios, Leonor Bessa esteve acompanhada do seu namorado como caddie, e logo Tomás Melo Gouveia, uma das estrelas portuguesas do Pro Golf Tour, uma das terceiras divisões do golfe profissional europeu. O facto não passou despercebido à organização, que publicou no seu site oficial uma fotografia do casal.

Para a campeã nacional de profissionais e campeã nacional absoluta é lamentável que o contexto de pandemia tenha-a forçado a encerrar mais cedo da temporada, não havendo este ano Escola de Qualificação do Ladies European Tour.

Teria sido uma boa oportunidade de lograr um eventual apuramento para a primeira divisão europeia, dada o crescendo de forma em que se encontra.

«Este foi o meu último torneio internacional do ano. Fico triste porque estou muito motivada para competir e o meu jogo está a melhorar bastante. Sinto que estou a trabalhar da melhor maneira para evoluir. Tenho jogado muito mais em treino e isso tem-me ajudado muito na competição», declarou a irmã mais nova de Tomás Bessa, também ele campeão nacional de profissionais.

Aliás, Tomás Bessa iniciou nesta quarta-feira a sua participação no Italy Alps Open, o último torneio de 2020 do Alps Golf Tour, outra das terceiras divisões europeias. Tomás está no 20.º lugar com 1 abaixo do Par, entre 84 jogadores, numa prova em que o português Vítor Lopes é o 4.º classificado com 3 abaixo do Par.

«Considero, sem dúvida, que em termos de progressão, este foi o meu melhor ano de sempre. Sinto que progredi em todas as áreas do jogo e que isso repercutiu-se em alguns torneios, especialmente nestes últimos. Sinto-me bem e com vontade de fazer mais e melhor», frisou Leonor Bessa.

Uma predisposição bem diferente de há um ano nesta altura da época de 2019, quando transpareceu algum desencanto ou desmotivação. A mudança de residência de Paredes para o Algarve, seguindo as pisadas do seu irmão, também ajudou: «No Algarve tenho melhores condições (de treino, de clima, de parceiros de treino) e um melhor grupo para treinar, o que também motiva muito».

O torneio de Madrid do Santander Golf Tour contou com outra portuguesa, Susana Ribeiro, que integrou o grupo das 36.ª classificadas, juntamente com outras quatro jogadoras, totalizando 158 pancadas, 14 acima do Par, após duas voltas de 79, mas da sua prestação e da sua temporada de 2020 falaremos noutra altura.

Leonor Bessa e Susana Ribeiro deverão jogar ainda mais um torneio em 2020, mas de cariz interno, integrado no circuito profissional português: o PGA Portugal Open, a 30 de novembro e 1 de dezembro, no Amendoeira Golf Resort, em Sines.

 

Hugo Ribeiro / Tee Times Golf (teetimes.pt)

Lisboa, 28 de outubro de 2020

Fotografia © Santander Golf Tour