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Ricardo Santos e Filipe Lima perseguem sonhos em Maiorca

Este é o nome oficial do ranking do Challenge Tour, a segunda divisão europeia, onde Ricardo Santos é o atual 8.º classificado, quando nesta quinta-feira (amanhã) se inicia o último torneio da temporada.

Nem um enorme desastre, ou seja, nem o 45.º e último lugar na Grande Final do Challenge Tour, de 420 mil euros em prémios monetários, que termina no domingo, irá impedi-lo de encerrar 2019 no top-15 do Challenge Tour.

«Melhor seria impossível… poder jogar este torneio sem essa preocupação. Agora é divertir-me e subir o mais possível no ranking. Esse será o objetivo para a semana. Ter o cartão garantido é especial e motivo de orgulho», disse o profissional do Guardian Bom Sucesso Resort.

Ricardo Santos – que este ano conquistou o Swiss Challenge e obteve mais dois top-3 em torneios do Challenge Tour – tem ainda hipóteses matemáticas de chegar ao primeiro lugar do ranking, algo que só um português conseguiu quando Ricardo Melo Gouveia venceu a Grande Final em Omã e foi consagrado n.º1 do Challenge Tour de 2015.

Este ano a Grande Final realiza-se pela primeira vez em Espanha, mais concretamente em Maiorca, um fabuloso destino turístico de golfe, com 21 campos. O palco escolhido foi o Club de Golf de Alcanada e para Ricardo Santos ser o n.º1 de 2019 precisará provavelmente de vencer ou sagrar-se vice-campeão da prova e esperar que o atual n.º1, o escocês Calum Hill, tenha um péssimo torneio e fique nas últimas posições.

Não é provável, mas o algarvio tem todo o interesse em empenhar-se a fundo, embora jogue sem pressão, porque não é indiferente qualificar-se para o European Tour pelo ranking do Challenge Tour como top-5, top-10 ou top-15. Quanto melhor for a sua classificação no final do ano em mais torneios poderá entrar em 2020.

«Este ano houve jogadores com esta categoria que não entraram em torneios do European Tour e para o ano há Ryder Cup (o que torna os torneios ainda mais competitivos). Por isso, esta semana, quero estar o mais possível lá em cima e quem sabe a disputar o título no domingo», sublinhou Ricardo Santos que, no Challenge Tour, teve a sua melhor temporada em 2011, quando fechou o ano como 4.º do ranking.

Quem também tem os olhos no título é Filipe Lima, mas, no seu caso, trata-se quase de um imperativo.

O português residente em França já esteve no top-10 da Corrida para Maiorca depois de uma boa fase em que foi vice-campeão no Euram Bank Open, em julho, e vencedor do Vierumäki Finnish Challenge, em agosto.

Só que, desde então, escorregou para o 22.º lugar no ranking e agora, para voltar ao top-15 com acesso ao European Tour necessitará de um enorme esforço.

O Challenge Tour não consegue fazer as contas porque é muito complicado. A sua equipa de media limita-se a dizer que qualquer um dos 45 participantes na Grande Final do Challenge Tour em Maiorca tem ainda chances matemáticas de atingir o tal top-15.

Pelas nossas contas, necessariamente falíveis, o campeão nacional de 2017 poderia consegui-lo com um top-5 desde que a concorrência mais direta jogasse francamente mal, mas o mais provável é que só um top-3 leve-o a atingir o alvo.

«Sei que um resultado bom abre-me muitas portas. E como são só 45 jogadores, apesar de serem os melhores, é sempre mais fácil ganhar a Grande Final do que outro torneio (às vezes com mais de 150 jogadores). Há mais oportunidades para ganhar, mas é um torneio difícil. Eu nunca fiz contas. Vou jogar e se tiver oportunidade de agarrar um bom lugar tentarei ao máximo. Nunca fui um tipo de jogador de ir para o campo sem pensar em ganhar, por isso, vou com a garra máxima», garantiu o português que no próximo dia 26 completa 38 anos.

Tarefa difícil mas não impossível. Se há alguém que sabe o que é usar o Challenge Tour para subir ao European Tour é Filipe Lima. Fê-lo por quatro vezes (2004, 2008, 2013 e 2016) e supõe-se ser um recorde no Challenge Tour.

Embora nunca tenha ganho a Grande Final do Challenge Tour, andou perto, pois foi vice-campeão em 2013, no Dubai, para encerrar a época como n.º2 do ranking.

O próprio Challenge Tour recorda sempre a história de Richard Bland que venceu a Grande Final de 2001 em França e deu um salto do 44.º ao 9.º lugar do ranking, apurando-se milagrosamente para o European Tour de 2002. Tudo é possível.

Esta quarta-feira foi dia de Pro-Am e os dois portugueses tiveram prestações positivas.

Ricardo Santos foi 5.º classificado. Jogou os nove últimos buracos, enquanto os primeiros nove foram disputados pelo francês Damien Perrier. Os amadores foram Maria Fiol Caimari, Jaume Fiol Caimari e Pedro Pascual Crespi. Esta equipa da Viva Hotels totalizou 20 pancadas abaixo do Par.

Entre 23 equipas, Filipe Lima foi 13.º e também ele atuou no back nine do campo, com o front nine a ser assegurado pelo espanhol Carlos Pigem. O resultado de 16 abaixo do Par da formação da Federação Balear de Golfe teve a contribuição dos amadores Bernardino Jaume Mulet, Bartolomé Tous e José Manuel Atienzar.

Venceu o conjunto da Favarger Swiss Chocolate, com 27 abaixo do Par, dos profissionais Rhys Enoch (País de Gales) e Jack Senior (Inglaterra) e dos amadores Fran Rajic, Luka Rajic. Esta formação integrou também o treinador Javier James.

Mereceu destaque a presença de uma equipa da conceituada Rafa Nadal Tennis Academy, 3.ª classificada, com destaque para a presença de dois tios do n.º1 mundial de ténis, um dos quais o famoso Miguel Angél que foi defesa central da equipa de futebol do Barcelona e da seleção de Espanha.

Quinta-feira já só jogam os profissionais, desde as 8h30 (horário de Espanha). Filipe Lima será o primeiro português a partir, às 9h47 ao lado do neo-zelandês Josh Geary e do escocês Ewen Ferguson.

Ricardo Santos arranca às 10h42, ao lado do norte-irlandês Cormac Sharvin (9.º) e do inglês Jack Senior (7.º), que este ano venceu o ISPS Handa World Invitational Men/Women na Irlanda do Norte.

Filipe Lima trouxe como caddie o amigo escocês Stuart McDermid, que tem estado com ele noutros torneios, designadamente no Open de Portugal @ Morgado Golf Resort, enquanto Ricardo Santos confiou essa função a Vítor Lopes, que se tornou profissional depois de ganhar o Campeonato Internacional Amador de Portugal em 2018.

Entretanto, há ainda outros cinco portugueses que alimentam o sonho de jogarem no European Tour em 2020.

Também a partir de quinta-feira, 247 jogadores são distribuídos por quatro campos em Espanha, para a Segunda Fase da Escola de Qualificação do European Tour, procurando um lugar na Final.

Ricardo Melo Gouveia, Pedro Figueiredo e Tomás Melo Gouveia estão no Las Colinas em Alicante; Tomás Silva joga no Bonmont em Tarragona; e Tomás Bessa atua no Desert Springs em Almería.

Ricardo Melo Gouveia e Pedro Figueiredo jogaram no European Tour em 2019 e estão a tentar evitar a despromoção ao Challenge Tour.

Tomás Silva, Tomás Melo Gouveia e Tomás Bessa passaram brilhantemente a Primeira Fase da Escola de Qualificação e nunca foram membros do European Tour.

Texto: Hugo Ribeiro

Foto: Ricardo Santos com Vítor Lopes