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Ricardo Melo Gouveia satisfeito com Hong Kong

Uma das características deste primeiro torneio da época de 2019 de Ricardo Melo Gouveia foi ter sido penalizado com 1 triplo-bogey (no buraco 12 da primeira volta) e 2 duplos-bogeys (no 17 da segunda volta e no 6 da última ronda). Sendo ele um jogador muito regular, não é habitual tantos percalços num mesmo torneio.

«Os duplos e o triplo surgiram porque o meu jogo não está muito regular, mas, ao mesmo tempo, consegui recuperar com muitos birdies, o que foi bastante positivo», elucidou o jogador do ACP Golfe que, efetivamente, compensou com 19 birdies!

«Senti durante praticamente toda a semana que não estava com o meu melhor jogo e ontem (Domingo) as condições climatéricas não estavam boas, pois choveu o dia todo, estava bastante complicado e senti que fui afetado por isso», admitiu Ricardo Melo Gouveia.

As estatísticas mostram isso mesmo. Em fairways atingidos, uma estatística em que costuma ser muito forte, o jogador do Team Portugal fez 57,1% nas duas primeiras voltas, subiu para 64,2% na terceira e 62,5% na quarta. Nada mau, mas longe de deslumbrar.

Claro que é preciso perceber que o New Course foi inaugurado em 1931 e o Eden em 1971. São traçados antigos, com muitas árvores em jogo, é preciso ter cuidado nas saídas.

«É um excelente campo, bastante estratégico, não muito comprido, mas tem de estar-se bem ao nível das saídas. Tem uns greens bastante pequenos com muitas elevações e tem de estar-se bem a todos os níveis de jogo», caracterizou o português residente em Londres.

Ora foi a habituação no “shot ao pau” e aos greens que foi fazendo Ricardo Melo Gouveia melhorar as suas exibições. Na primeira volta só acertou 38,8% dos greens em regulação, mas esse número foi subindo nos dias seguintes para 58,3%, 68,5% e 70,8%.

Não admira que tenha arrancado 8 birdies na segunda volta e 6 na terceira. Nessa terceira ronda repetiu a dose de 65 (-5) da véspera e, de repente, estava no 12.º lugar, às portas do top-10. É por isso que admite que «poderia ter sido melhor, depois das duas voltas de 65», mas o 20.º lugar com que terminou é uma classificação bem positiva.

No último dia, o tal com mau tempo, viu as coisas bem negras ao perder 2 pancadas no buraco 6 e cedeu mais 1 “shot” no 10. No entanto, como tem sido uma característica da sua carreira, deu a volta ao mau momento e recuperou com birdies nos buracos 11 e 13 para fechar com uma volta de 71 (+1), a única da semana acima do Par.

Foi, portanto, com um agregado de 275 (-5) que encerrou a sua segunda participação no Honma Hong Kong Open, no grupo dos 20.º classificados, empatado com mais nove jogadores.

Bem melhor do que a sua estreia nesta prova de 1,75 milhões de euros em prémios monetários. Há um ano fora 68.º com 10 pancadas acima do Par. Na altura recebeu 3.551 euros. Ontem saiu daquele território chinês com um prémio de 18.523.

Só não foi o seu melhor início de época de sempre no European Tour porque em 2016, na sua estreia na primeira divisão europeia, depois de ter sido o n.º1 do Challenge Tour de 2015, foi à África do Sul, ao Alfred Dunhill Championship, classificar-se no 18.º lugar, também com 5 pancadas abaixo do Par, para um prémio de 16.766 euros.

Foi, então, o início de uma época de sonho que terminou com vários recordes nacionais, entre os quais ter sido o único português a qualificar-se para o DP World Tour Championship, no Dubai, o evento que concluiu esse 2016.

É, pois, um bom sinal haver um paralelismo entre os arranques de 2016 e 2019, pois deseja-se que a sua quarta época seguida no European Tour seja tão tranquila quanto a primeira, depois do sufoco que foram as temporadas de 2017 e 2018.

Um fator que poderá ser melhor estudado pela equipa do jogador olímpico português é a presença de Tomás Melo Gouveia ao lado do filho. O empresário residente no Algarve tem seguramente mais do que fazer do que viajar pelo Mundo a puxar o saco de Ricardo, mas a sua influência é claramente benéfica.

Há ali uma química que só eles podem explicar, com resultados evidentes. Foi com o pai como caddie que Ricardo venceu a Grande Final do Challenge Tour em Omã em 2015 e foi de novo ao pai que recorreu quando, a meio do ano passado, se viu aflito depois de separar-se do bom caddie que tinha, Nick Mumford. E foi com Tomás ao lado que recuperou os bons resultados e salvou a temporada de 2018, designadamente com um top-10 no Portugal Masters.

Ora foi de novo Tomás Melo Gouveia quem viajou a Hong Kong com Ricardo e voltará a fazer o mesmo esta semana no Australian PGA Championship, um dos Majors do PGA Tour of Australasia, que também faz parte do European Tour, distribui 956 mil euros em prémios e decorre a partir de quinta-feira no RACV Royal Pines Resort, em Gold Coast, na Austrália.

«Ainda não tenho nenhum caddie. Estou ainda no processo de encontrar alguém, portanto, trouxe o “supercaddie-pai” para estes dois torneios», disse.

Tomás Melo Gouveia não é caddie profissional e Ricardo começa a ser um jogador apetecível para alguns dos bons caddies do circuito europeu, que muito poderão ensinar-lhe e ajudá-lo, mas não será de estudar mais profundamente a possibilidade do pai assumir um posto oficial na equipa do filho, apenas pela estabilidade emocional que parece ser capaz de transmitir-lhe?

Claro que para trabalhar as questões físicas e técnicas do seu jogo Ricardo Melo Gouveia tem profissionais ao seu dispor e apesar de ter tido menos de cinco semanas entre o final da temporada de 2018 em Valderrama (Espanha) e o início da de 2019 na China, foi ao treinador britânico Hugh Marr que recorreu.

«Estive a maior parte do tempo em Inglaterra a preparar-me para estes dois torneios de início de época de 2019. Durante estas semanas concentrei-me em melhorar alguns aspetos técnicos e melhorar os meus métodos de treino», informou.

Em 2019 o European Tour modificou o seu sistema de atribuição de pontos para a Corrida para o Dubai. Doravante já não há uma equivalência direta entre os prémios monetários e os pontos para o ranking.

Como nem todos os participantes do Open de Hong Kong eram jogadores do European Tour, Ricardo Melo Gouveia foi 20.º na classificação geral do torneio, mas no primeiro ranking de 2019 da Corrida para o Dubai surge no 18.º posto, com 29,3 pontos. Já no ranking mundial registou uma subida de 26 lugares, para 408.º, ele que ainda é o único português a ter entrado no top-100 mundial.

O Open de Hong Kong foi ganho por um dos jogadores do European Tour com quem Ricardo Melo Gouveia se dá bastante bem. Trata-se do inglês de origem indiana Aaron Rai, que chegou a jogar no mesmo grupo do português na Grande Final do Challenge Tour de Omã em 2015. Aliás, os pais dos dois jogadores também mantêm um relacionamento cordial.

Aaron Rai somou 263 pancadas (65+61+68+69), 17 abaixo do Par, menos 1 do que outro inglês, Matthew Fitzpatrick (70+62+68+64), o atual campeão do Omega European Masters.

Resultados particularmente satisfatórios para José Correia, o presidente da PGA Portugal e promotor do Portugal Pro Golf Tour.

Por um lado, sente que valeu a pena a ausência de Ricardo Melo Gouveia do Campeonato Nacional PGA Solverde para preparar-se devidamente para Hong Kong.

Por outro lado, como o próprio José Correia referiu, «tanto Ricardo Melo Gouveia como Aaron Rai já ganharam torneios do Portugal Pro Golf Tour, no caso do inglês em janeiro de 2017 no Penina, no Algarve».

Por Hugo Ribeiro

Lisboa, 27 de novembro de 2018