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RICARDO GOUVEIA COM NOVO TREINADOR AINDA NÃO DESISTIU DO BRITISH OPEN

Distribuiu 6,3 milhões de euros em prémios monetários, integrou a milionária Série Rolex – atribuindo, por isso, muito mais pontos para a Corrida para o Dubai e para o ranking mundial – e este ano ganhou ainda uma importância suplementar por o percurso Albatros do Le Golf National ser o campo que irá acolher a Ryder Cup.

Alguns craques do golfe mundial jogaram o torneio este ano só a pensar em conhecerem melhor o campo, tendo em vista a Ryder Cup, de 28 a 30 de setembro, na semana posterior ao Portugal Masters.

Ricardo Melo Gouveia foi o único português a entrar na lista de 159 participantes e a qualidade da concorrência, que incluía três jogadores do top-10 mundial, fazia com que as perspetivas não fossem as melhores para o jogador português que vinha da tal série de quatro cuts falhados.

«O meu jogo comprido esteve bastante mal na Alemanha e estava sem confiança nenhuma», admitiu à Tee Times Golf, referindo-se ao BMW International Open, o torneio da semana anterior, onde foi 123.º (+9), a sua terceira pior classificação do ano, em 16 torneios disputados.

Mas o Open de França, o mais antigo torneio de golfe da Europa Continental (102 edições), parece fazer renascer Ricardo Melo Gouveia, o que é curioso, dado o Albatros ser considerado um campo muito difícil.

O certo é que em três anos no European Tour, o jogador do Team Portugal nunca falhou o cut. Foi 16.º (a Par) em 2016 na sua estreia, 38.º (+2) em 2017 e agora 31.º (+1) em 2018, empatado com outros cinco jogadores.

«Sinto-me bem no campo», corroborou, apesar de ter notado algumas diferenças em relação aos anos anteriores, fruto da preparação especial que está a sofrer para a Ryder Cup: «o rough estava mais difícil, deixaram crescer a erva que está ao lado do rough principal e os fairways estavam mais estreitos. Os greens não estavam nas condições ideais, algo irregulares e um bocadinho lentos, mas o resto do campo estava bom».

O atleta olímpico luso não se limitou, contudo, a confiar nas boas memórias do Le Golf National para dar um pontapé na crise que o preocupava e mal regressou da Alemanha, na sua residência em Londres, estabeleceu um plano para inverter a tendência negativa.

«Voltei a Londres na sexta-feira e estive a trabalhar durante o fim de semana com o meu (novo) treinador, o Hugh Marr (o primeiro profissional britânico a conseguir a credencial de ‘TrackMan Master’). Percebemos que tínhamos de alterar um bocadinho a minha técnica e de tentar voltar ao swing que eu tinha em 2015 e 2016. Ganhei mais alguma confiança nesses treinos», disse.

Já em França, os progressos continuaram: «Os dias de preparação correram-me bem e comecei a sentir-me mais confortável com as mudanças no swing».

A competição começou na quinta-feira e Ricardo Melo Gouveia arrancou com uma volta de 71 pancadas, igualando o Par do campo. «Joguei bem no primeiro dia», assegurou-nos, enquanto nas redes sociais acrescentou: «Foi um teste duro, com muito vento, mas aguentei-me. Estou satisfeito com o resultado».

Estava no grupo dos 15.º classificados, mas o verdadeiro teste seria a segunda volta, por trazer à tona os demónios dos recentes cuts falhados. Era o dia do tudo ou nada e o profissional da Quinta do Lago reagiu positivamente.

«No segundo dia não joguei tão bem e senti um pouco a pressão de passar o cut», reconheceu, e o certo é que as 74 pancadas (+3) foram o seu pior cartão de sempre no Open de França.

Aquele quádruplo-bogey no icónico buraco 18 do Albatros poderia ter ditado a sua eliminação, mas nesse segundo dia RMG tinha saído do buraco 10. O 18 não era o seu final de volta, tinha ainda nove buracos pela frente para tentar recuperar e conseguiu-o parcialmente, com um providencial eagle no buraco 3 que lhe permitiu carimbar o passaporte para as duas últimas jornadas.

Tinha caído de 15.º para 41.º (empatado) na classificação, mas isso era o menos importante: «vinha de uma série de quatro cuts falhados e na sexta-feira. Por isso, depois de acabar a segunda volta e de saber que tinha passado o cut, fiquei contente. Afinal, no início da semana, estava um pouco com falta de confiança e em baixo».

Na terceira volta, com 69 pancadas, 2 abaixo do Par, Ricardo Melo Gouveia igualou o seu melhor cartão de sempre no Open de França (um recorde pessoal fixado na última volta de 2016) e nas redes sociais não cabia em si de contente: «Muito feliz com o meu jogo de hoje. O meu jogo comprido esteve muito sólido e proporcionou-me muitas oportunidades de birdie».

No quarto e último dia não conseguiu melhor do que igualar o Par-71 do campo e subiu de 41.º para 31.º. Não era o top-10 de que necessitava para poder eventualmente garantir um dos três convites em jogo para o British Open – esses foram para o escocês Russell Knox, o norte-americano Julian Suri e o sueco Marcus Kinhult – mas o importante foi sentir-se de novo com forças para lutar por uma melhor segunda metade da temporada.

«Neste torneio já joguei bastante melhor, senti-me muito mais confortável, algo irregular no segundo e neste último dia, mas bem melhor e nesse sentido é um bom resultado», frisou à Tee Times Golf.

Com um agregado de 285 pancadas, 1 acima do Par, após voltas de 71, 74, 69 e 71, Ricardo Melo Gouveia embolsou 49.320 euros, o seu prémio mais elevado da temporada, e ascendeu do 153.º para o 130.º posto na Corrida para o Dubai.

Ainda está longe do top-100 de que necessita no final da temporada para se manter no European Tour em 2019, mas a motivação redobrou depois do Open de França, um torneio onde em três anos ganhou um total de 133.288 euros!

Curiosamente vive em 2018 uma situação muito semelhante à do ano passado. Em 2017, o jogador da Srixon também chegou ao Le Golf National com cinco cuts seguidos falhados, a sua pior série de sempre no European Tour, mas o 38.º lugar foi o início da recuperação que culminou com um final de época espetacular que teve o seu ponto alto no 5.º lugar no Portugal Masters.

Este ano espera-se que possa funcionar igualmente como um ponto de viragem na época do português de 26 anos: «Vêm aí mais dois torneios da Rolex Series, dois torneios grandes (o Open da Irlanda já esta semana e o Open da Escócia na semana seguinte), dois torneios com lugares de acesso ao British Open (em Carnoustie, de 19 a 22 de julho), e uma boa prestação num destes torneios pode alterar o resto da temporada. Seria ótimo, e o facto de ter jogado melhor esta semana também dá-me ânimo para esses próximos eventos».

Será fundamental a Ricardo Melo Gouveia cimentar o tal regresso ao swing dos seus tempos áureos, agora com este novo treinador britânico. O drive foi sempre o barómetro do seu jogo e da sua confiança.

«Senti-me mais confortável e a jogar melhor», garante. As estatísticas não mentem. Em quatro voltas no difícil Albatros de fairways estreitos, teve uma precisão de drive de 64,3%, exatamente o mesmo índice do vice-campeão do torneio, Russell Knox. E os seus 72,2% de greens em regulação não ficaram nada longe dos 75% do campeão da prova, o sueco Alex Noren.

Por falar em Noren, viveu uma semana de sonho – até porque no último dia recuperou de uma desvantagem de 7 pancadas – e já pensa em voltar ao Le Golf National para a Ryder Cup.

Entretanto, ao somar 277 (73+72+65+67), 7 abaixo do Par do Albatros, menos 1 shot do que Knox, Suri e o inglês Chris Wood, o sueco conquistou o seu 10.º título no European Tour, o seu segundo na Série Rolex (depois do BMW PGA Championship do ano passado) e subiu ao 2.º lugar na Corrida para o Dubai.

O European Tour prossegue no próximo dia 5, com o Dubai Duty Free Irish Open Hosted by The Rory Foundation, igualmente com 6,3 milhões de euros em prémios, com a presença de Ricardo Melo Gouveia. Filipe Lima e Pedro Figueiredo inscreveram-se mas ficaram de fora e irão competir no Challenge Tour.

Hugo Ribeiro / Tee Times Golf para Record

Autor: Hugo Ribeiro

Lisboa, 2 de Julho de 2018