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RICARDO GOUVEIA MELHOR NA SÉRIE ROLEX EXPLICA MUDANÇAS NA EQUIPA TÉCNICA

Em 2017, no ano de estreia da Rolex Series, Ricardo Melo Gouveia já tinha passado o cut nos Opens de França e da Escócia, mas falhara esse objetivo no evento do meio, na Irlanda, embora noutro campo, pois em 2017 disputou-se em Portstewart. Depois, no final da temporada, também jogou os quatro dias no Open de Itália e já não conseguiu a qualificação para os três últimos torneios do ano, também integrados na Rolex Series.

Em 2018 o único português membro do European Tour declarou à Tee Times Golf que iria investir mais nesta Série Rolex, por atribuir mais pontos para a Corrida para o Dubai, para além de também oferecer prémios monetários mais elevados – 6 milhões de euros em cada evento!

As coisas não começaram bem em maio, em Wentworth, não muito longe da sua residência em Londres, falhando o cut no BMW PGA Championship. Mas começaram claramente a melhorar nas duas últimas semanas em França e na Irlanda, e a partir da próxima quinta-feira procurará passar o cut num torneio da Série Rolex pela terceira vez seguida pela primeira vez na sua carreira.

«Estou confiante de que esta semana, com calma, vou conseguir fazer um bom resultado e se Deus quiser qualificar-me para o The Open Championship (vulgo British Open, um Major)», disse esta terça-feira à Tee Times Golf, referindo-se ao Aberdeen Standard Investments Scottish Open, o Open da Escócia, no Gullane Golf Club. Filipe Lima e Pedro Figueiredo também se inscreveram, mas ficaram de fora.

A confiança de Ricardo Melo Gouveia não advém do 64.º lugar no Dubai Duty Free Irish Open hosted by the Rory Foundation, que terminou no Domingo passado. Embora seja uma classificação positiva entre 156 participantes, se contarmos apenas os 76 que passaram o cut, terminou na cauda do pelotão. E também não foi o seu melhor Open da Irlanda de sempre pois foi 36.º (+1) em 2016, no The K Club.

Também não foi o prémio de 13.179 euros a transmitir-lhe essa confiança, até porque, depois desse prémio convertido em 15.400 pontos, não só não melhorou a sua cotação na Corrida para o Dubai como até desceu 2 posições para 132.º. E no ranking mundial perdeu 19 lugares para 494.º.

A confiança vem, sobretudo, de ter passado dois cuts seguidos em torneios que reúnem a elite do European Tour; de sentir que a qualidade do seu jogo regressa aos poucos, fruto do trabalho que tem vindo a fazer para recuperar o “swing” de 2015 e 2016, como nos disse na semana passada; e de ser capaz de analisar os erros cometidos na Irlanda e de perceber como podem ser retificados.

«O meu jogo esteve um pouco irregular, mas, ao mesmo tempo, visto que não estou ainda a jogar bem, o só o facto de estar a conseguir jogar melhor e de passar o cut é um bom sinal, é sinal de que estou no caminho certo», começou por dizer o jogador da Srixon.

Este foi um daqueles torneios que foi mesmo dividido em duas partes distintas, com melhores resultados na primeira metade e depois duas últimas voltas de nível mais baixo, andando sempre fora do top-45 do leaderboard.

«O fim de semana não correu como queria. No Sábado o meu jogo do tee esteve irregular e também com uma ou outra falha estratégica que me levou a colocar a bola nos bunkers de fairway, o que, nos (campos de tipo) links, significa logo ter de dar um shot para o lado, sendo quase garantido um bogey ou pior. Nos últimos buracos da última volta começou a chover e levantou-se vento. No buraco 15 falhei o drive um pouco à direita em direção a um bunker e fiquei lá, só pude jogar para a frente e não consegui fazer apenas o bogey (sofreu 1 duplo). Depois, confesso que fiquei um bocadinho de cabeça quente no buraco seguinte e demorei um pouco a recuperar. Daí o bogey no 16. É mais uma lição que levo para os próximos torneios», admitiu.

Em jeito de balanço afirmou: «Apesar de sentir que o jogo está mais perto, saí um bocado frustrado por não ter conseguido jogar melhor no fim de semana».

A chuva e o vento que prejudicaram a sua prestação – aquelas 3 pancadas cedidas nos últimos quatro buracos custaram-lhe 24 lugares e quase 27 mil euros – foram uma exceção numa semana de tempo glorioso, num campo que recebeu pela primeira vez o Open da Irlanda, uma prova que data de 1927.

«O tempo esteve ótimo a semana toda, com sol, pouco vento, mas o facto de estar calor e de não ter chovido muito fez com que o campo fosse ficando cada vez mais duro e mais rápido. Isso dificultou muito a nossa tarefa, mas foi um excelente campo para o Open da Irlanda e toda a gente adorou, com vistas incríveis (sobre o oceano Atlântico), mesmo ao Norte da Irlanda.

O Glashedy Links foi o campo escolhido para o torneio mas o Ballyliffin Golf Club tem ainda outro percurso, o The Old Links.

O antigo n.º1 mundial, Rory McIlroy, o anfitrião do torneio, diz que Ballyliffin, inaugurado em 1995, «é um dos links mais difíceis do Mundo» e Ricardo Melo Gouveia comprovou-o nesta sua estreia: «É um links puro, um campo bastante difícil, bastante estreito, com os bunkers muito bem colocados».

O Open da Irlanda foi ganho pelo escocês Russell Knox, de 33 anos, ao bater no play-off o neo-zelandês Ryan Fox, graças a um putt enorme de mais de 10 metros, depois de terem empatado com 274 pancadas, 14 abaixo do Par, Knox com voltas de 71, 69, 68 e 66; Fox com rondas de 67, 69, 70 e 68.

Foi o segundo título do escocês no European Tour, depois de, em 2015, ter triunfado no HSBC Champions, um torneio chinês ainda mais importante por integrar os World Golf Championships. Também tem um título no PGA Tour. Mas talvez mais importante seja o facto de este ano Knox só ter disputado dois eventos do European Tour, sagrando-se vice-campeão no Open de França e uma semana depois campeão do Open da Irlanda, reentrando, assim, no top-50 mundial (49.º).

O Open da Irlanda ofereceu três convites para o British Open, o terceiro Major da temporada, e os eleitos foram Ryan Fox, o inglês Andy Sullivan e o Sul-africano Zander Lombard.

Uma das novidades do torneio irlandês foi Ricardo Melo Gouveia ter surgido com o seu pai Tomás a puxar-lhe o saco, como nos seus tempos do Challenge Tour, a segunda divisão europeia.

«Em França tive a minha última semana com o Nick Mumford (como caddie). Acabámos a relação profissional. Achei que era melhor cada um seguir o seu caminho. Por agora levo o meu pai de caddie até encontrar a pessoa certa. Essa foi a única alteração na minha equipa técnica», explicou o português de 26 anos.

O profissional da Quinta do Lago estava a referir-se diretamente ao nosso artigo da semana passada em que falávamos do seu novo treinador, Hugh Marr, com quem tem vindo a mexer no swing.

Afinal, embora Ricardo Melo Gouveia ainda mantenha uma relação profissional com o galês David Llewellyn, com quem trabalha «desde os 12 anos», já recorre simultaneamente a este Hugh Marr «desde o início de 2016».

Questionámo-lo sobre toda a sua equipa técnica, para se ter a ideia dos gastos e da complexidade de uma carreira como a do atleta olímpico luso e ele acrescentou: «O fisioterapeuta Rogério Machado está comigo desde os meus tempos de amador. A nível mental, trabalho com o Tiago Boto, também desde que passei a profissional. Trabalhava com o Tiago Boto nos setores mental e físico, mas como eu não estou muito tempo em Portugal, o Tiago sugeriu que eu precisava de ser seguido mais de perto. Então, este ano comecei a trabalhar a parte física com o Rob Goldup, que também segue o Thorbjorn Olesen (campeão do Open de Itália, da Rolex Series) e com o Francesco Molinari (campeão do BMW PGA Championship, da Rolex Series). Finalmente, o Rory Flanagan (da Hambric Sports) é meu agente desde que passei a profissional».

Autores: Hugo Ribeiro

Lisboa, 11 de Julho de 2018