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Ricardo Gouveia celebra aniversário com 80 torneios no European Tour

«Vou ter agora muitos torneios seguidos, o que é bom para ganhar um pouco de ritmo e de confiança», disse o jogador da Quinta do Lago à Tee Times Golf, quando viajava para a República Checa.

Tal como no ano passado, o único português membro do European Tour em 2018 chega a esta fase da temporada em dificuldades, no 131.º lugar da Corrida para o Dubai, ou seja, bem longe do top-100 que mantém os seus direitos na época seguinte.

E se em 2017 o 5.º lugar no Portugal Masters foi o início de uma recuperação sensacional na ponta final do ano, permitindo-lhe manter-se entre os melhores da primeira divisão europeia, também se deseja que esta série de cinco torneios seguidos que ainda tem pela frente – incluindo a etapa portuguesa, de 17 a 23 de setembro, em Vilamoura – possa trazer-lhe maior tranquilidade em 2018.

Ricardo Melo Gouveia aproveitou uma fase do ano em que foi forçado a parar – por não ter entrada em Majors e em World Golf Championships, e por ter decidido não jogar o Campeonato da Europa – para recuperar as forças, reorganizar-se e partir de novo para a luta.

«Nas duas semanas de paragem, estive a treinar em Londres e depois fui para Portugal. Estive mais de férias com a família, fiz anos nessa semana e houve o casamento do Titi», contou-nos o profissional da Srixon.

“Titi” é Tiago Rodrigues, outro profissional de golfe português, que milita no Pro Golf Tour (terceira divisão europeia) com o irmão mais novo de Ricardo, Tomás, e que aproveitou um intervalo de escassos dias para se casar com Vivian.

De acordo com informações prestadas pelo empresário de Tiago Rodrigues, Pedro Lima Pinto, da GreatGolf, muitos jogadores marcaram presença na cerimónia: «Entre uns 150 convidados estiveram lá o Pedro Figueiredo, Miguel Gaspar, Tomás Silva, os irmãos Ricardo e Tomás Melo Gouveia, Gonçalo Pinto e José Correia, o presidente da PGA de Portugal».

Um momento de festa, poucos dias depois do próprio Ricardo Melo Gouveia ter celebrado o seu 27.º aniversário. Embora já esteja na sua terceira temporada seguida no European Tour, é ainda muito jovem, sobretudo no golfe, modalidade em que há jogadores de elite com mais de 40 anos.

Claro que depois de merecidas férias, o regresso à competição seria sempre difícil e o próprio jogador do ACP Golfe reconheceu-o nas redes sociais, depois do Nordea Masters, o torneio que terminou no Domingo passado e no qual terminou em 45.º (empatado).

«Estive um pouco enferrujado esta semana, mas estou feliz por ter concluído com uma boa volta de 69 pancadas», escreveu o próprio.

Foi a terceira vez que o representante do Team Portugal disputou o Nordea Masters, mas a primeira neste campo, o Hills Golf Club, em Gotemburgo, na Suécia.

«Em relação aos campos em que joguei por três vezes o torneio, este foi o que menos gostei – referiu –, mas é um bom campo. É muito a subir e a descer, e estava bastante molhado por ter chovido na semana anterior. É um campo relativamente aberto, sem muito rough, mas com greens difíceis, com algumas lombas. Estava um bocado de vento e houve um pouco de chuva nos dois últimos dias».

Não são propriamente as melhores condições para se jogar depois de uma paragem de duas semanas, mas Ricardo Melo Gouveia até começou muito bem este torneio de 1,5 milhões de euros em prémios monetários, com uma primeira volta de 68 (-2), que o colocou no grupo dos 29.º classificados.

Já as voltas seguintes de 70 (Par) e 73 (+3) atiraram-no para o 53.º posto antes da última volta.

Ter passado o cut foi positivo, pois significa que só foi uma vez eliminado nos últimos cinco torneios que disputou. Um registo muito melhor do que aqueles quatro cuts falhados em maio e junho.

Mas nesta altura do European Tour, ainda fora do top-100 da Corrida para o Dubai, já não lhe basta passar o cut e é preciso começar a ter muito boas classificações.

Foi por isso que se temeu o pior quando na última volta chegou ao buraco 12 com 1 duplo-bogey e 2 bogeys, para apenas 1 birdie. Estava a tombar seriamente na classificação geral.

Nessa altura veio ao de cima do seu tradicional espírito de luta, de sobrevivência e decidiu atacar. Não perdeu mais nenhuma pancada e fez 4 birdies em sete buracos para salvar o dia e arrancar a tal volta positiva de 69 (-1), para um agregado de 280 (Par).

«Se calhar foi por essa razão (a semana de férias) que o jogo não esteve tão bom nesta semana, pois não estava com muito ritmo», reconheceu.

Os cartões no somatório dos quatro dias mostram-no, pois para um jogador extremamente regular não é habitual ver-se a autêntica montanha-russa que são 14 birdies, 12 bogeys e 1 duplo-bogey.

O prémio de sete mil euros que embolsou, convertido em pontos não lhe permitiu melhorar a sua cotação na Corrida para o Dubai, caindo do 128.º lugar para o 131.º, mas apenas por causa de não ter somado pontos nos tais torneios em que não teve entrada – o PGA Championship (Major) e o Bridgestone Invitational (WGC).

O balanço do Nordea Masters, não sendo excecional, foi positivo e aquele final com 4 birdies em sete buracos irá seguramente dar-lhe enorme motivação para as próximas semanas.

O torneio sueco foi ganho pelo inglês Paul Waring, que precisou de derrotar o talentoso sul-africano Thomas Aiken no primeiro buraco de play-off, depois de terem empatado com 14 pancadas abaixo do Par.

Paul Waring só conquistou agora o seu primeiro título do European Tour aos 33 anos, após 200 torneios disputados.

Um bom exemplo de perseverança para Ricardo Melo Gouveia, que também persegue o seu primeiro troféu na primeira divisão europeia, mas que é seis anos mais novo e acabou de participar apenas no seu 80.º torneio do European Tour, contando também com aqueles que disputou nos tempos de amador.
Por Hugo Ribeiro

Lisboa, 22 de Agosto de 2018