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‘Figgy’ segura top-16 no ranking e vai confiante para final da época

A principal consequência das classificações dos últimos dois meses foi a saída do top-10 da Corrida para Ras Al Khaimah, surgindo mesmo esta semana no 13.º lugar, tendo caído um posto depois da 32.ª posição em que terminou no Domingo um torneio na China.

Faltam apenas dois torneios até ao final da temporada: o Foshan Open, na China, de 430 mil euros, que começa na quinta-feira, e a Ras Al Khaimah Challenge Tour Grand Final, nos Emirados Árabes Unidos, de 420 mil euros, de 31 de outubro a 3 de novembro.

Estamos a falar de dois dos Majors do Challenge Tour de 2018. Só o Open do Cazaquistão ofereceu prémios superiores (450 mil euros) e o Open do Quénia também chegou aos 430 mil.

Isto quer dizer que há ainda muito para se decidir. Aliás, a única certeza que o Challenge Tour tem é que os atuais dois primeiros classificados da Corrida para Ras Al Khaimah já têm garantida a subida ao European Tour em 2019: o dinamarquês Joachim B. Hansen (1.º), vencedor de dois torneios este ano; e o finlandês Kalle Samooja, que ascendeu ao 2.º lugar do ranking desta segunda divisão europeia depois de vencer no Domingo o Hainan Open, na China.

Há ainda 13 vagas para a primeira divisão europeia a serem distribuídas nas próximas duas semanas, com muitos pontos para o ranking em jogo.

E como o atual 4.º classificado da Corrida para Ras Al Khaimah, o finlandês Kim Koivu (o tal que é treinado pelo português David Silva), já nem está no Challenge Tour, pois ganhou três torneios nesta época e ascendeu automaticamente ao European Tour, isso quer dizer que o 16.º do ranking no final do ano ainda irá subir de divisão.

É por isso que não só Pedro Figueiredo como também Filipe Lima (que esta semana caiu de 28.º para 31.º na Corrida para Ras Al Khaimah) têm legítimas aspirações a fazerem parte desse top-16. Com tantos pontos ainda em jogo, tanto podem ganhar tudo como perder tudo.

Razão tinha Pedro Figueiredo em dizer à Tee Times Golf, no passado mês de julho, quando ainda estava no top-10 do ranking, que essa era uma preocupação que procurava não ter, para não colocar ainda mais pressão em cima dos seus ombros: “Sinceramente, não ligo muito à posição do ranking. O mais importante é olhar para o meu jogo e os resultados do que preocupar-me com o ranking. Sei que se jogar bem, isso será o suficiente para conseguir a promoção ao European Tour. A classificação só interessa no final nem costumo olhar muito para ela”.

Será que a falta de um top-20 nos últimos dois meses poderá significar que está a deixar-se afetar pela pressão do ranking? Os seus mais próximos asseguram que não. Tem mesmo apenas a ver com questões mais simples, como o facto de ter perdido alguma consistência de jogo e não alinhar quatro boas voltas seguidas, ou, como aconteceu na semana que passou, deparar com um campo que lhe é desfavorável.

“Era um campo que favorecia bastante quem batia comprido, por ser muito largo, sem grandes perigos. Eu não sou muito comprido, penso que não seria o campo ideal para mim. Ainda por cima, a bola batia nos fairways e não rolava, ficava ali, e eu, com o meu voo de bola mais baixo, ainda ficava mais curto”, explicou à Tee Times Golf, referindo-se ao Sanya Luhuitou Golf Club, em Sanya City.

Mesmo assim, Figgy até começou bem, pois era o 6.º classificado após uma primeira volta de 68 pancadas, 4 abaixo do Par, a 6 do então líder, o escocês Grant Forrest.

Na segunda volta, o atleta do Sport Lisboa e Benfica ainda se aguentou, apesar de descer para 15.º, ao entregar um cartão de 71 (-1), ficando a 8 de distância do finlandês Kalle Samooja, que entretanto saltou para o comando.

Mas o pior estava para vir no fim de semana. Uma terceira volta de 74 (+2) atirou-o para o 22.º e já estava a 11 de Kalle Samooja no topo da classificação. E um último dia jogado em 73 (+1) deixou-o na classificação final de 32.º (empatado), com um agregado de 286 (-2), a 13 do campeão, Kalle Samooja.

“Até comecei bem o torneio, a jogar bastante consistente, mas nos últimos dois dias não fiz bons resultados, com duas voltas acima do Par, nas quais o que falhou foi sobretudo o putt. No terceiro dia não meti nenhum putt que tivesse mais de dois metros e assim é difícil fazer birdies, e no quarto dia fiz três greens a 3-putts”, explicou Pedro Figueiredo, que no início da semana até tinha sido entrevistado pelo Challenge Tour na qualidade de especialista de putts.

No entanto, é claro que num campo que favorece quem bate longe, os jogadores que ficam mais curtos como Figgy sentem depois maior pressão no jogo no green, pois é ali que têm de compensar a desvantagem das saídas.

São, porém, questões técnicas muito específicas e as duas primeiras voltas demonstram que o profissional da Navigator não está a jogar mal. Nos últimos dois meses fez 12 voltas na casa das 60’s pancadas. O que não tem conseguido é fazer quatro voltas seguidas destas numa mesma prova. É por isso, por saber que tem feito boas voltas com frequência, que sente confiança para os dois torneios que tem pela frente e que poderão significar o maior feito da sua carreira – a subida ao European Tour.

“Já estou no segundo torneio da China (o Foshan Open). Terça-feira e quarta-feira faço as voltas de treino e espero fazer um bom torneio”, garantiu-nos, com uma voz que transparece calma.

Ainda no que se refere ao Hainan Open – no qual filipe Lima falhou o cut com voltas de 76 e 73, para um agregado de 149 (+5) – o título ficou bem entregue a Kalle Samooja, com 273 (65+66+71+71), -15.

O finlandês de 30 anos conquistou o seu primeiro título do Challenge Tour numa altura em que deveria estar a ser pai pela primeira vez.

“O meu filho deveria ter nascido hoje, mas nasceu prematuro logo no dia em que eu regressei de França (a 24 de setembro). Já fui pai e estou a viver momentos muito felizes e entusiasmantes”, disse Samooja, que ganhou o torneio chinês, subiu ao 2.º lugar no ranking da segunda divisão e assegurou a subida virtual à primeira divisão em 2019.

Autor: Hugo Ribeiro/Tee Times Golfe

Foto: Alvaro Marreco

Lisboa, 15 de outubro de 2018