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“FIGGY” E LIMA MÁQUINAS DE BIRDIES AGUENTAM-SE NO TOPO DO CHALLENGE

De 12 a 15 de julho, no Italian Challenge presented by Cashback World, de 300 mil euros, foi a vez de Filipe Lima obter um bem positivo 12.º posto, enquanto Pedro Figueiredo teve de contentar-se com a 55.ª posição.

Na Corrida para Ras Al Khaimah, Pedro Figueiredo continua a ser o melhor português. Era 8.º antes do evento da República Checa, subiu a 7.º e esta semana volta a figurar em 8.º. Tem em risco a sua posição no top-10 por optar por parar uma semana, mas não se manifestou demasiado preocupado.

«Agora tenho uma semana de descanso antes de voltar à competição na Áustria e na Suécia. Sinceramente não ligo muito à posição em que estou no ranking, nem costumo olhar para ele, porque acho que o mais importante é olhar par ao meu jogo. Sei que se jogar bem até ao final do ano será o suficiente para conseguir a promoção ao European Tour. A classificação só interessa no final, mas é bom sinal estar no top-10, quer dizer que tenho jogado bem este ano e espero que assim continue», disse à Tee Times Golf.

Quanto a Filipe Lima, tomou uma opção diferente e será o único português no final desta semana Le Vaudreuil Golf Challenge, em França, dotado de prémios monetários de 210 mil euros.

Uma oportunidade soberana de também ele entrar no top-10 do ranking da segunda divisão europeia, numa altura em que é 23.º classificado, tendo subido 3 posições esta semana.

O campeão nacional gosta do Golf PGA France du Vaudreuil, um campo onde foi 14.º em 2015 e 15.º em 2013, antes de falhar o cut em 2016.

Olhemos mais pormenorizadamente para os resultados dos dois melhores portugueses no Challenge Tour nesses dois eventos.

No Prague City Golf, “Figgy” jogou quatro voltas seguidas abaixo do Par (70, 69, 69 e 69) para um agregado de -11, que lhe valeu um prémio de 2.405 euros. Lima igualou o Par-72 no segundo dia mas nas outras jornadas também teve boas voltas de 66, 70 e 70. Parecia lutar pelo título aos 18 buracos, mas, mesmo assim, saiu da República Checa com -10 e 1.712 euros.

Note-se que no torneio checo Ricardo Santos também pareceu lutar pela vitória no primeiro dia de 66 pancadas, mas voltas seguintes de 72, 71 e 69 levaram-no a empatar com Lima com -10 e o mesmo prémio de 1.712 euros.

O outro português a passar o cut foi Tomás Silva (-6), que ganhou 907 euros, enquanto Miguel Gaspar (-1) e Tiago Cruz (+3) foram eliminados após a segunda volta.

O total de -1 de Miguel Gaspar é até o seu melhor resultado de sempre no Challenge Tour, mas não lhe deu a sua melhor classificação porque em Praga não foi suficiente jogar abaixo do Par. A explicação foi dada à Tee Times Golf por Pedro Figueiredo:

«Foi a primeira vez que joguei neste campo, os resultados são normalmente baixos e estava em excelentes condições. É bastante largo, com fairways largos, greens grandes, relativamente comprido e algum rough mas nada de especial. A sua principal defesa são os greens bastante ondulados».

Repare-se como o Inglês Ben Stow conquistou o primeiro título da sua carreira no Challenge tour com 18 abaixo do Par.

Pelo contrário, o Is Molas Resort, na Sardenha, onde se jogou o Challenge de Itália, foi bem mais complicado para os portugueses obterem bons resultados, embora, verdade se diga, o campeão, o sueco Sebastian Soderberg tenha estado endiabrado, ao somar o seu segundo troféu neste escalão, com 17 abaixo do Par.

«O campo desta semana desiludiu-me um pouco, não tanto pelo desenho, mas pelas condições em que se encontrava, com os greens muito irregulares, uns duros, outros moles, com variações num mesmo green, tornando-se num bocadinho injusto porque nunca se sabia como uma bola iria reagir. Foi desapontador por ser um torneio muito importante», referiu “Figgy”.

Em Itália, foi Filipe Lima a juntar quatro voltas seguidas abaixo do Par, de 68, 67, 70 e 67, num torneio em que começou com 1 eagle e terminou com uma boa última volta isenta de bogeys, para um agregado de -12. Como concluiu isolado no 12.º lugar, arrecadou 5.700 euros.

Pedro Figueiredo vinha igualmente bem com voltas de 69, 69 e 70, o que significa que, juntando ao seu torneio anterior, viveu uma série muito forte de sete voltas consecutivas sempre abaixo do Par. Já no último dia o cartão de 73 (+2) atirou-o para o 55.º posto (-3) definitivo e um prémio de mil euros.

Estes foram os únicos portugueses a passarem o cut na Sardenha. De resto, foram eliminados aos 36 buracos Tiago Cruz (-1), Ricardo Santos (Par) e Tomás Silva (+2).

Pedro Figueiredo continua a ser o melhor português no Challenge Tour, sobretudo desde que no mês passado venceu o KPMG Trophy e foi 3.º no SSE Scottish Hydro Challenge hosted by Macdonald Hotels & Resorts, para além de em maio ter sido 8.º no Open de Portugal @ Morgado Golf Resort.

Um dos progressos que se nota no seu rendimento é o aumento do número de birdies: 12 em Itália, 21 em Praga, 15 na Escócia e 24 na Bélgica. Claro que Filipe Lima sempre teve essa característica de fazer muitos birdies (17 na República Checa e 15 em Itália, mais 1 eagle em cada torneio), mas “Figgy” era tradicionalmente menos exuberante. Será por os campos estarem mais acessíveis ou há mesmo melhorias no seu jogo ou uma gestão diferente do jogo em campo?

«Normalmente não sou uma pessoa que faça muitos birdies nem muitos bogeys, ando sempre ali à volta do Par – reconheceu à Tee Times Golf – mas nestas semanas é verdade que tenho feito mais birdies. Isso deve-se sobretudo ao excelente jogo de ferros que tenho tido, metendo a bola muito perto do buraco. Também tenho “patado” relativamente bem, aproveitando as oportunidades. Talvez os campos ajudem, sobretudo o da Bélgica e o de Praga, por terem alguns buracos de birdie. Se calhar também jogo mais solto e tenho uma atitude mais agressiva, mais confiante, por inconscientemente estar a lutar pela vitória em vez de estar a lutar por passar o cut e isso leve-me a fazer mais alguns birdies».

Mesmo nestas duas últimas semanas em que andou arredado do top-10 das classificações finais, o atleta do Benfica sentiu que poderia ter feito melhor, sendo traído nas últimas voltas.

«Foi uma prestação bastante consistente ao nível dos resultados, joguei bastante bem, sobretudo nos três primeiros dias. O último dia foi o que bati pior na bola mas estive bem nos greens e agarrei-me bem ao jogo», analisou o seu jogo em Praga.

«Não joguei nada de especial, sobretudo no último dia. Nos primeiros três dias não joguei mal, mas também não consegui colocar-me em posição de fazer um resultado muito positivo. No último dia bati pior na bola e falhei muitos putts. Contei cinco putts com menos de 2 metros, o que não tem sido habitual, porque este ano tenho “patado” bem. Ainda assim passei o cut, que é sempre um dos objetivos, embora gostasse de ter ficado mais acima na classificação».

Depois de uma semana de descanso, a próxima competição do jogador da Navigator será o Euram Bank Open, a 26 de julho, no Golfclub Adamstal, na Áustria, com 180 mil euros em prémios. Estará apenas acompanhado de Ricardo Santos, porque Filipe Lima, nessa semana, tem entrada num torneio do European Tour na Alemanha.

Autor: Hugo Ribeiro

Lisboa, 17 de julho de 2018