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“Figgy” e Lima visam o título na Final do Challenge Tour

Em 2015, quando a prova ainda decorria em Omã, Ricardo Melo Gouveia fez história, ao vencer a Grande Final, ao encerrar a temporada como n.º1 do Challenge Tour (dois recordes nacionais) e, consequentemente, ao ascender ao European Tour, donde nunca mais saiu.

O total de 251.592 pontos conquistados por Ricardo Melo Gouveia nessa temporada é ainda um recorde na história do Challenge Tour, mas poderá ser superado pelo atual n.º1, o dinamarquês Joachim B. Hansen, que leva nesta altura 184.260. Como a vitória garante 72 mil pontos, o dinamarquês – que já era um rival de Melo Gouveia em 2015 – poderá chegar aos 256.260 pontos.

Joachim B. Hansen, vencedor este ano de dois torneios do Challenge Tour, é um de oito jogadores com hipóteses matemáticas de encerrarem o ano na primeira posição da Corrida para Ras Al Khaimah. Os outros são por ordem no ranking o francês Victor Perez, o finlandês Kalle Samooja, o sueco Sebastian Soderberg, o inglês Jack Singh Brar, o finlandês Kim Koivu (treinado pelo português David Silva), o galês Stuart Manley e o escocês Grant Forrest.

Para nós, portugueses, o que importa é saber se Pedro Figueiredo e Filipe Lima serão capazes de ascender ao top-15 da Corrida para Ras Al Khaimah. Ricardo Santos fê-lo em 2011, Ricardo Melo Gouveia em 2015 e Filipe Lima em 2004, 2009, 2013 e 2016.

Embora não haja registos fidedignos, Alain de Soultrait, o diretor executivo do Challenge Tour, acredita tratar-se de um recorde neste circuito um mesmo jogador ter terminado no top-15 em quatro temporadas distintas.

Mas para Filipe Lima dilatar esse recorde e fazê-lo por uma quinta vez necessitará de uma exibição soberba. O português de 36 anos chega a Ras Al Khaimah no 33.º lugar do ranking e está a 31.318 pontos do 15.º lugar.

Só se o campeão nacional terminar em 2.º lugar na Grande Final, que garante 47 mil pontos, poderá chegar ao top-15, mas um 2.º lugar poderá mesmo assim não ser suficiente, pois depende do que fazem os outros jogadores.

Se quiser certezas, só os 72 mil pontos da vitória garantir-lhe-ão o regresso ao European Tour. No passado já houve jogadores fora do top-30 antes da Grande Final a conseguirem fechar a época no top-15. Não é impossível.

Pedro Figueiredo, pelo contrário, tem muito boas hipóteses, pois começa o torneio no 17.º lugar do ranking, a apenas 3.618 pontos do 15.º. Matematicamente, se os seus rivais jogassem todos muito mal, até um top-30 esta semana poderia ser suficiente, mas, realisticamente, um top-20 dá-lhe grandes probabilidades. A segurança absoluta só com um top-10.

No entanto, se Lima é forçado a visar a conquista do título da Ras Al Khaimah Challenge Tour Grand Final, Figueiredo deu-se ao luxo de optar por estabelecer esse como o seu objetivo ideal.

«Aqui o objetivo é lutar pela vitória porque se jogarmos a pensar num top-5 ou num top-10 poderemos prejudicar-nos no final», disse ‘Figgy’, de 27 anos, que este ano chegou a andar no top-10 do ranking, depois da sua vitória na Bélgica, no KPMG Trophy, em junho.

O português foi entrevistado pelo press officer do Challenge Tour a pedido do Gabinete de Imprensa da PGA de Portugal e assegurou que está mentalmente preparado para a pressão: «A vitória no play-off, na Bélgica, deu-me motivação para acreditar e para lidar bem com os momentos duros, como quando estou a jogar por uma vitória. Espero que essa confiança seja-me útil esta semana».

Filipe Lima, pelo contrário, em declarações à Tee Times Golf, reconheceu que tem pela frente uma missão extremamente complicada: «Sei que vai ser difícil. O Challenge Tour está cada vez mais difícil, vai ser preciso um bocadinho de sorte, mas vou dar o melhor».

«Gostaria de estar em melhor forma para a Grande Final», admitiu o português residente em França, que conta com boas memórias da sua última passagem por Ras Al Khaimah.

Com efeito, em 2016 disputou ali um torneio regular do Challenge Tour e sagrou-se vice-campeão, com um excelente resultado de 19 pancadas abaixo do Par, a apenas 1 do campeão, o inglês Jordan Smith, que viria a fechar a época como o n.º1 do ranking.

«Conheço o campo, joguei lá há dois anos e fiquei em 2.º. É um campo que poderá adequar-se bem ao meu jogo, mas não é por ter jogado lá bem que isso irá acontecer de novo. Basta ver o que aconteceu este ano em Saint Omer, um campo que costuma ser bom para mim (venceu lá duas vezes mas este ano nem passou o cut)», acrescentou o atleta olímpico português.

O campo desta semana a que Lima se refere é o Al Hamra Golf Club, um Par-72 de 6.698 metros, desenhado por Peter Harradine com vistas deslumbrantes sobre o golfo pérsico.

«É um campo em que as pessoas que batem longe não têm tanta vantagem como na China. É um campo que tem perigos, tem buracos mais fáceis e outros mais difíceis. Vai ser preciso ter um jogo completo e vai depender do tempo porque costuma estar vento», descreveu o campeão nacional.

Se Filipe Lima sabe bem o que terá pela frente, para Pedro Figueiredo será uma incógnita, embora já tenha efetuado duas voltas de treino para ambientar-se.

«Não conheço o campo, mas poderá adequar-se às minhas características. Deverá ser seco, no qual a bola role bastante e gosto de campos assim em que seja preciso pensar um bocadinho mais», disse à Tee Times Golf.

Filipe Lima tem passado toda a sua carreira a dividir-se entre o European Tour – onde chegou a militar quatro épocas consecutivas – e o Challenge Tour. Já Pedro Figueiredo não sabe o que é competir uma época inteira ao mais alto nível. Só disputou alguns torneios esporádicos.

“Figgy” é ainda hoje o melhor golfista amador português de sempre e quando se tornou profissional sagrou-se logo campeão nacional em 2013. Mas depois disso sentiu enormes dificuldades para singrar e levou anos a recompor-se, tanto emocionalmente como em termos de qualidade de jogo.

Só no ano passado, ao fechar a época no top-5 do Pro Golf Tour (uma das terceiras divisões europeias), sentiu-se que estava de novo no bom caminho e esse top-5 deu-lhe a subida ao Challenge Tour (segunda divisão). Agora está às portas do escalão principal, falta-lhe um último esforço e é por isso que encara esta Ras Al Khaimah Challenge Tour Grand Final com tanta emoção.

«Estou bastante motivado. É uma grande oportunidade, sobretudo se pensar que há dois ou três anos estava numa situação muito mais difícil no que se refere ao meu jogo e a mim próprio. Estar aqui, com uma oportunidade de qualificar-me para o European Tour, é sem dúvida entusiasmante», declarou o atleta do Sport Lisboa e Benfica.

Ao Challenge Tour acrescentou: «Significaria muito para mim ir ao European Tour. Estar aqui já é um grande feito e se não acontecer, mesmo assim estarei orgulhoso do que fiz esta época. Mas claro que concretizar o objetivo de terminar no top-15 tornaria a época ainda mais especial. É um sonho que tenho, o de jogar no European Tour, desde muito jovem, e seria também um motivo de alegria para todos os que me rodeiam, sobretudo a minha família».

Texto:Hugo Ribeiro

Foto: Filipe Guerra