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13º Portugal Masters – STEVEN BROWN CAMPEÃO GOUVEIA E SILVA NO TOP-30 MAIS DE 37 MIL ESPECTADORES

O inglês de 32 anos está longe de ser uma estrela. Iniciou a semana no 150.º posto da Corrida para o Dubai, estava em sério risco de descer ao Challenge Tour, a segunda divisão europeia, e surgia apenas no 550.º lugar do ranking mundial.

Sabia desde o início do torneio de 1,5 milhões de euros em prémios monetários que só conseguiria manter-se na primeira divisão europeia se ganhasse o torneio ou se fosse 2.º classificado. É certo que tinha-se colocado em posição de consegui-lo, pois partiu para a última volta deste domingo (hoje) a 3 pancadas do líder, o sul-africano Brandon Stone, mas ele próprio admitiu que «não estava nada à espera disto».

Num ápice embolsou o cheque de 250 mil euros, saltou para o 69.º lugar da Corrida para o Dubai e não só assegurou que irá continuar na elite europeia até ao final de 2020 como também se apurou no limite para o milionário Turkish Airlines Open, em novembro, reservado ao top-70 do ranking do European Tour, um evento da prestigiada Série Rolex.

Steven Brown nunca tinha ganho um torneio do European Tour. O mais perto – e bem perto – fora o ‘play-off perdido para o inglês Matt Wallace no Made in Denmark do ano passado. E este ano ainda não alcançara qualquer top-10, embora na semana passada o 11.º lugar no sempre complicado Open de França já desse a ideia de estar em crescendo de forma.

Tudo acabou por conjugar-se na perfeição nos dois últimos dias. No sábado arrancou uma penúltima volta em 65 pancadas, 6 abaixo do Par, o seu melhor cartão de toda a época. E hoje quase igualou-a com uma ronda em 66 (-5), para um agregado de 267 (-17), dado que nos dois primeiros dias carimbara ‘scores’ de 69 e 67. Como conta o press officer do European Tour, Tom Carlisle, «o birdie no buraco 11 colocou-o em posição de manter o seu cartão no European Tour em 2020 e o eagle no buraco seguinte levou-o para o resultado vencedor de -17».

«Aquela pancada no buraco 12 (que deu-lhe o eagle) foi provavelmente o melhor ‘shot’ que alguma vez dei. Não poderia ter sido mais perfeito», disse Steven Brown, o primeiro jogador a ter competido no Portugal Pro Golf Tour a sagrar-se mais tarde campeão do Portugal Masters. «É difícil expresser o que sinto. Sinto alívio, espanto, júbilo, tudo. Estou em choque», admitiu o jogador que deu o sétimo título do Portugal Masters a Inglaterra – foi o sexto a fazê-lo, dado Tom Lewis ter ganho por duas vezes.

Steven Brown foi também o terceiro jogador a triunfar pela primeira vez no European Tour no Portugal Masters, depois do seu compatriota Tom Lewis em 2011 e do dinamarquês Lucas Bjerregaard em 2017. O britânico bateu por 1 única pancada os sul-africanos Brandon Stone (voltas de 66, 66, 66 e 70) e Justin Walters (65+66+71+66).

Para Walters há uma sensação de ‘déjà vu’. Em 2013 a sua mãe tinha falecido três semanas antes de vir para o Algarve. Uma milagrosa última volta levou-o a sagrar-se vice-campeão e a manter-se no European Tour. Este ano o seu pai faleceu no verão e Justin voltou a terminar em 2.º e a segurar o cartão para 2020! Como disse Steven Brown «foi um dia esquisito».

Estranho também para os jogadores portugueses. Nenhum jogou mal, mas também nenhum conseguiu uma daquelas voltas extraordinárias que pudessem levá-los ao topo. Ao contrário de 2017 e 2018, desta feita não houve nenhum golfista nacional no top-10, mas os top-30 de Ricardo Melo Gouveia e de Tomás Santos Silva, bem como o top-40 de Tiago Cruz, são classificações positivas, embora possam, naturalmente, saber a pouco.

Ricardo Melo Gouveia e Tomás Santos Silva empataram no 29.º lugar com 276 pancadas, 8 abaixo do Par, merecendo um prémio de 14 mil euros. Mas se o melhor português no European Tour até subiu 6 posições na classificação graças a uma última volta de 68 (-3), o bicampeão nacional, pelo contrário, tombou 10 degraus no leaderboard após um derradeiro cartão de 70 (-1). Diga-se que Tomás Santos Silva esteve no top-20 até ao duplo-bogey no último buraco por um segundo ‘shot’ que foi à água.

«Aquela pancada não pode caracterizar a minha participação no Portugal Masters. Senti-me bem ao longo de todo o torneio e é uma participação muito positiva da minha parte. Este 27.º lugar pode ser visto como satisfatório, mas eu quero sempre mais», disse Tomás Santos Silva, que entregou cartões de 72, 68, 66 e 70, para a sua melhor classificação e o seu melhor resultado de sempre no Portugal Masters.

Agora, para o bicampeão nacional, vem aí a Segunda Fase da Escola de Qualificação, em novembro, em Espanha, pelo que ainda é possível o sonho de estar no European Tour em 2020. Quem também estará nesse Segunda Fase são Tomás Bessa, Tomás Melo Gouveia e Pedro Figueiredo, que falharam o cut neste Portugal Masters, bem como Ricardo Melo Gouveia.

«Foi bom acabar com 2 birdies, foi mais uma participação positiva. Claro que queria mais, mas sinto que o meu jogo, mesmo devagarinho, já começa a dar-me voltas mais aceitáveis e sinto que estou no bom caminho. Agora é descansar uns dias e voltar aos treinos para preparar-me para a Segunda Fase da Escola. O meu objetivo principal era ganhar o torneio; se não ganhasse queria garantir pontos suficientes para ir diretamente à Final da Escola; isso não aconteceu, estou um bocadinho desiludido mas acho que tenho ótimas hipóteses de voltar ao European Tour no próximo ano», declarou Ricardo Melo Gouveia, que somou rondas de 70, 68, 70 e 68. O atleta olímpico português, que tinha sido 5.º em 2017 e 7.º em 2018 no Portugal Masters, vai terminar a época na 164.ª posição da Corrida para o Dubai. Uma época difícil em que decidiu redefinir toda a sua técnica para tornar-se num jogador muito mais forte no futuro.

Tiago Cruz também fez grandes alterações técnicas este ano e está a regressar aos poucos ao seu melhor. O 40.º lugar no Portugal Masters é a sua melhor classificação de sempre na prova, tal como são o seu melhor resultado de sempre as suas 278 pancadas (-6), com voltas de 69, 66, 73 e 70, para um prémio de 8.700 euros. Claro que para quem chegou a meio da prova no top-10 poderá saber a pouco, mas não é assim que ele pensa. «O total dos quatro dias foi bastante positivo. Saio de cabeça erguida e sinto que poderia estar a jogar ao mais alto nível», disse o ex-bicampeão nacional.

Textos: Hugo Ribeiro
Fotografias: Tomás Silva por Nuno Machado, Tiago Cruz, Ricardo Melo Gouveia e muito público por João Lobato, Steven Brown e Filipe Silva porLuke Walker/Getty Images

GABINETE DE IMPRENSA DO PGA EUROPEAN TOUR NO PORTUGAL MASTERS

Lisboa, 27 de outubro de 2019